St. Vincent É Coroada a Rainha do Festival

Dos pequenos passos de dança à total entrega da artista como diva, todos os olhos estavam em Annie Clark

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A máxima “menos é mais” ganhou nova conotação com a apresentação de St. Vincent no Lollapalooza Brasil 2015. Annie Clark apresentou-se com três outros músicos e eles fizeram mais som do que uma banda consideravalmente maior poderia ser capaz de fazer, além da artista demonstrar sua capacidade de conquistar a atenção de toda uma plateia de festival com alguns poucos movimentos dos braços e seu olhar penetrante propagado pelo telão.

Sua performance trouxe ao Palco Axe um pouco de diversas fases de sua carreira de uma maneira homogênea, com todas as músicas, luzes e pequenas coreografias convergindo em um mesmo ponto: A própria cantora. Ela é tão teatral quanto é guitarrista, tão artista quanto é obra de arte em si. Com seus passos curtos no palco, que contrastam com os momentos em que se joga no chão, ela brinca com os olhos e as emoções de cada espectador, que assiste embasbacado à sua apresentação ao ponto de se esquecer de dançar ou cantar.

Quando tocou o hit Cruel, porém, foi como se a melodia quebrasse a hipnose – mas não em uma maneira que desviasse a atenção do que acontecia no palco. Pelo contrário, eram momentos assim, de convite, que davam a impressão de que o público tinha algum controle sobre a situação, como a presa que sabe deixar sua vítima à vontade para dar o bote na hora certa.

Com uma malícia conceitual, Annie conquistava novos fãs a cada solo de guitarra em uma apresentação com direito a levantar a bandeira brasileira e ir ao encontro da plateia – ela capricha até dentro dos clichês, na forma com que pede para que alguém segure sua guitarra e como beija a lente da câmera. De salto alto, ela sabe ser diva.

Seja na sensualidade natural de Huey Newton, nos novos hits Digital Witness e Birth in Reverse ou na derradeira Your Lips Are Red, a que sediou a performance do parágrafo anterior, St. Vincent sabia seu lugar no pódio, no trono, no Olimpo do festival. Mesmo se não soubesse, a aglomeração de boquiabertos que assistia ao seu show faria o favor de coroá-la.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.