Resenhas

Anywhere – Anywhere

Primeiro registro do trio encabeçado por Cedric Bixler-Zavala traz uma boa mistura entre Punk acústico e a Psicodelia

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Ano: 2012
Selo: ATP Recordings
# Faixas: 7
Estilos: Punk Acústico, Rock Psicodélico, Experimental
Duração: 40:35
Nota: 3.5

Eu já acompanho a carreira de Cedric Bixler-Zavala há algum tempo e, pesquisando tudo o que ele já fez, descobri que sempre há um toque de seu companheiro inseparável Omar Rodriguez-López em seu trabalho. Seja no At The Drive-In, The Mars Volta ou até mesmo no De Facto (primeiro projeto da dupla e bem desconhecido do grande público), sempre houve uma troca e parceria muito grande entre os dois músicos. Este é seu primeiro trabalho sem a mão de Omar e posso dizer que ele se saiu muito bem.

Cedric, além de dar sua voz a Anywhere, se torna o motor da banda ao assumir as baquetas e em momento algum decepciona quem ouve. É uma bateria bem simples e sem muita firula, coisa que se vê no The Mars Volta, mas é realmente incrível como ela se conecta e dá um ar diferente à música.

Mas esta não é uma banda formada só por ele – Christian Eric Beaulieu (Triclops!) e Mike Watt (Minutemen/fIREHOSE) se juntam para formar um trio. E, de cada uma das pontas do triângulo, vem uma referência: Beaulieu traz um pouco do Rock Progressivo e Punk em seu violão, o dinossauro Watt traz uma carga extra de Punk nos baixos e o tom psicodélico fica por conta de Cedric, que traz essa vibe lisérgica através dos vocais bem característicos.

O disco traz em suas sete músicas uma coesão muito grande com os elementos roqueiros costurados por sonoridades eletrônicas, que trazem um ar bem diferente à sonoridade do trio. Khamsim é uma das faixas que mostra bem isso, com os vocais processados se encontrando com o violão furioso e as linhas de baixo bem construídas. Os elementos eletrônicos tem a função de amarrar tudo isso e produzir o efeito lisérgico da música.

O Punk acústico da banda prossegue pelas faixas Pyramid Mirrors (que conta com percussão latina extra) e Rosa Rugosa, em um tom progressivo no qual o ritmo muda algumas vezes durante seu decorrer.

O disco apresenta seu clímax ao aproximar-se do fim. A música que o nomeia é uma das melhores e, além de carregar a responsabilidade de batizar a obra, leva todos esses elementos um passo adiante. A canção seguinte, Shaman Mantra, desacelera o ritmo e cria um clima etéreo, como é sugerido por seu nome. Nela, os vocais de Cedric se encontram com os da Rachel Fannan, encontro que acontece também na incrível Dead Golden West.

O som da banda carrega um pouco da sonoridade da The Mars Volta e At The Drive-In, mas vai além das duas, trazendo novos elementos e, pela primeira vez, mostrando como o Cedric se sai bem sem Omar. Este é um ótimo registro que eu espero que dê mais frutos, afinal uma banda dessa qualidade não pode morrer sem deixar mais obras.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts