Resenhas

Arthur Beatrice – Working Out

Assumindo a própria personalidade e utilizando a criação coletiva, grupo faz uma estreia elegante

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Ano: 2014
Selo: Vertigo/Capitol
# Faixas: 11
Estilos: Chamber Pop, Indie Pop
Duração: 40:57
Nota: 3.5
Produção: Arthur Beatrice

O quarteto londrino Arthur Beatrice, formado pelos vocalistas Ella Girardot e Orlando Sheppard e pelos irmãos Hamish e Elliot Barnes, chega ao seu primeiro álbum completo, após o lançamento de um EP promissor, Carter, na metade do ano passado.

Um pouco mais distante dos caminhos de tentativa e erro do trabalho anterior, o lançamento da vez, Working Out, tem uma personalidade mais definida e assume com um pouco mais de propriedade seu estilo. Estilo esse, único à seu modo, pois faz da criação coletiva as bases de sua miscigenação sonora. De influências tanto da música clássica quanto do Rock ou do Pop, todos os integrantes participam no processo colaborativo de composição, que vai, aliás, além da harmonias e melodias, chegando no método não hierarquizado da escrita livre das letras.

Não que as referências antigas tenham desaparecido. De fato, ainda é possível detectar uma espécia de Alt-J erudito, ou aquela melancolia nublada dos Wild Beasts, mas, de fato, agora com a exuberância de vozes afinadíssimas e potentes, (sejam elas proganistas ou em coro), ou com a liderança majoritaria do piano nas harmonias, é possível aproximar o trabalho de Arthur Beatrice aos dos americanos de San Fermin. De fato, assim como na anterior, a herança das artes eruditas não se esconde, embora não sejam o foco do trabalho. O ar quase sisudo que passam, sempre elegantes com suas roupas sociais brancas ou pretas ou mesmo a frieza asséptica da luz de seus clipes são fatores que ajudam a entender a fama de grupo “sério” que ganharam.

A robustez dos pianos e das vozes graves de veia Pop, que lembram o melhor de Hurts ou mesmo de London Grammar, assume-se sem medo em Working Out, e o resultado é admirável. Ainda mais se levado em conta todos os esforços colaborativos para a realização do álbum, da criação aberta que já citei, até mesmo aos esforços do próprio grupo em auto-produzir o trabalho. Se continuar evoluindo como está, Arthur Beatrice, em breve, vai impor seu nome sem grande sem dificuldade no cenário do qual faz parte.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte