Resenhas

Arthur Matos – Pacífico Atlântico

Vindo de Aracajú, cantor lança um disco leve, belo e coesoVindo de Aracajú, cantor lança um disco leve, belo, coeso com elementos da medida certa

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Ano: 2013
# Faixas: 11
Estilos: Folk Rock, Indie Rock
Duração: 38:59
Nota: 4.5
SoundCloud: /tracks/93010650

Pacífico Atlântico é o segundo disco de Arthur Matos e tem como intenção declarada e assumida, a busca por uma sonoridade melancólica e urbana, tendo como ponto de partida, Elliott Smith e congêneres. Mas não é tão simples descrever o disco desta forma. É um disco de amanhecer, no qual as pequenas nuances de sons e imagens conduzem o dia e a claridade a partir da noite e da não-luz. Pode parecer romântico, mas o disco evoca esse tipo de impressão.

Arthur fez parte da banda Nantes entre 2007 e 2011 mas sentiu necessidade de partir em carreira solo, uma vez que respondia pelas composições da banda e queria ousar em outros terrenos sonoros que não o Pop psicodélico praticado até então pelo grupo. Gravou seu primeiro trabalho, Seu Lugar, em um mês, com a ajuda de Fabrício Rossini (Produtor, Multi-instrumentista e guitarrista da Nantes, que também participa de Atlântico Pacífico). A impressão que o disco transmite é de situações familiares e experimentadas, longe de algo inventado ou criado para caber numa melodia ou vice-versa. A beleza de canções como Fotografia ou Uma Vez Você sugerem isso, como se alguém pintasse uma aquarela com lembranças e elas perdessem a forma, tornando-se algo novo e passível de apropriação pelo ouvinte. É um processo subjetivo e difícil para um artista, que Arthur parece fazer intuitivamente. Sua Aracaju natal, ainda que não esteja incluída no roteiro habitual das cidades com uma cena estabelecida e que ultrapasse suas fronteiras, também fornece material inspirador para letras e climas do disco.

Ainda que flashes de um cotidiano de contemplação e uma certa melancolia deste fim/início de século, Pacífico Atlântico é fruto direto da experiência de Arthur ao tocar nos Estados Unidos acompanhando a banda paranaense Rosie And Me. O disco é uma consequência natural da necessidade de compartilhar essas experiências e atender ao anseio de compor boa música pop, sem o compromisso imposto de atender a uma suposta regra que dita tribalismos ou brasilidades que não são naturais a muitos compositores. Pacífico Atlântico tem matriz no folk rock, seja de Nick Drake, seja de Big Star, com letras em português, o que valoriza ainda mais a proposta de André, mas ele já avisa que tem planos para lançar algo em inglês até o fim de 2013. Pacífico Atlântico é leve, belo e triste, tudo na medida certa, sem fazer com que o ouvinte pense que está ouvindo uma cópia da sonoridade angustiada dos musos inspiradores, tampouco tenha ache que Arthur está caminhando por trilhas do ineditismo.

Com um resultado muito acima da média, Pacífico Atlântico tem credenciais de sobra para frequentar listas de melhores de 2013, principalmente aquelas que são anti-hype e mais comprometidas com os bons sons. Belo trabalho.

02-Duas Cidades

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ARTISTA: Arthur Matos
MARCADORES: Folk, Indie Rock, Ouça

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.