Resenhas

Biffy Clyro – A Celebration Of Endings

Em nono disco de estúdio, trio escocês acrescenta arranjos de cordas intensas a seu conhecido e empolgante Rock

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Ano: 2020
Selo: 14th Records/Warner Bros.
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Post-Hardcore, Rock Progressivo
Duração: 45'
Produção: Biffy Clyro, Rich Costley, Steve Mac

Faz algum tempo que corre o boato de que o Rock morreu. Com o crescente domínio de gêneros como Rap, R&B e Pop, os puristas teimam em localizar nas décadas passadas os últimos respiros de um mundo que, outrora, viveu uma espécie de apogeu nos charts. Seja no Grunge, no New Metal ou ainda – de forma mais polêmica – no Emo. O fato é que, vivendo do passado ou não, ainda insistem por aí em enterrar o gênero. No entanto, um olhar minucioso nos mostra que, apesar de não ocupar os primeiros lugares da Billboard, o Rock não apenas está longe de ter se extinguido, como ainda caminha por diferentes estéticas. Ele aparece misturado em um Shoegaze ali, em um disco de Ambient misturado com Metal aqui, mas sempre presente nos espaços em que pode se espremer. Para o trio escocês Biffy Clyro, no entanto, o Rock nunca pareceu ocupar um lugar de “piedade”, e sim de um protagonismo claro, propiciando um sentimento intenso e enérgico em suas canções.

No nono disco do grupo, A Celebration Of Endings, tudo isso está ainda mais evidente e marcante. Ao evocar referências que vão de The Mars Volta a Jimmy Eat World, o Rock de Biffy Clyro, sem dúvidas, busca atingir nossas emoções. Neste disco, o soco é bem dado a partir de um refrão pegajoso ou riffs que garantem uma boa sacudida na cabeça. Mas, apesar de conservar intacta a partícula do Rock, o trio coloca um elemento a mais que certamente potencializa todos aqueles sentimentos familiares em discos passados: arranjos clássicos. É como se a mensagem que o grupo quisesse passar precisasse de um artifício ainda mais dramático e potente para dar conta deste conteúdo. Dito e feito. Os arranjos de cordas criados por Rob Mathes (responsável pela orquestra de Pretty Odd (2008), do Panic! At The Disco) são pontos fundamentais de A Celebration Of Endings e conduzem – e incrementam – toda a jornada.

Esta contraposição entre Rock e tons clássicos é feita de maneira harmoniosa e os elementos não disputam espaço, mas se somam. As guitarras, timbradas com uma distorção pesada, se unem a violinos sutis. O baixo violento junta forças a metais e contrabaixos clássicos. Mesmo o vocal versátil de Simon Neil consegue conversar com harmonias orquestradas. Pode até parecer que neste disco o Rock se encontra um pouco mais tímido, mas uma audição atenta revela sua forte presença, em um dos momentos mais criativos da carreira do grupo.

O disco abre com “North Of No South”, quebrando tudo que tem no caminho, com um riff estilo Audioslave e baixo e guitarra sincronizados e distorcidos. Já “Weird Leisure” dá espaço maior ao baixo pontual, mas tem refrão grandioso, daqueles perfeitos para gritar em uma arena. “End Of” é mais ágil e voraz, com destaque especial para os vocais que vão desde o coro suave ao gutural rasgado em questão de segundos. As baladas tocantes também ganham lugar em “Opaque”, momento de relaxamento no qual os arranjos de cordas se encaixam à emoção entregue entre os violões. O disco se encerra em um ápice de virtuosidade e melodia com a grandiosa “Cop Syrup”, momento que une todas as facetas exploradas no disco em seis minutos de faixa.

Com A Celebration Of Endings, Biffy Clyro mantém sua relação com o Rock, mas busca novos caminho pelos quais pode entregar sensações ainda mais intensas. Esta talvez seja a palavra-chave do disco: intensidade. Seja pela distorção das guitarras ou pela criação de contextos distintos nos arranjos de cordas, cada música do repertório desperta uma sensação diferente, mas sempre intensa.

(A Celebration Of Endings em uma faixa: “Cop Syrup”)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.