Resenhas

Body Parts – Fire Dream

New Wave, anos 1980 e uma grande inspiração no Talking Heads abrangem a estreia do grupo que faz um dos discos mais dançantes de 2013

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Ano: 2013
Selo: Father/Daughter
# Faixas: 11
Estilos: New Wave
Duração: 36:04
Nota: 3.5
Produção: Body Parts
SoundCloud: /tracks/100237305

A estreia do grupo norte-americano Body Parts traz um revival interessante do Pop dos anos 1980 e acaba demonstrando influências muito interessantes. O New Wave, movimento musical muito importante neste período é tratado aqui como uma jóia rara e a sua execução não deixa a desejar em nenhum momento, tornando Fire Dream um dos discos mais dançantes do ano de 2013.

A abertura Desperation é extremamente pegajosa com suas guitarras swingadas e vocal rasgado no Pop. Claramente inspirado por David Byrne e o seu Talking Heads, o som escutado aqui é capaz de transpor para outros tempos. Past Is Coming talvez seja esta viagem no tempo, uma faixa que explora muito bem o pluralismo e timbres dançantes que Byrne cansou de reproduzir ao longo de sua prolixa vida.

Aliás, as semelhanças entre o grupo e o famoso cantor não param por aí pois o timbre de voz escutado aqui é tão próximo ao de Byrne que chega até a assustar. É perceptível o experimentalismo em algumas músicas como Be a God com sua exploração em diferentes texturas vocais. O Pop abrange bastante o trabalho mas não chega a ser enjoativo.

Em termos de orquestração, temos faixas interessantíssimas na obra. Unavoidable Things tem uma levada na bateria bastante quebrada e dançante enquanto o baixo se propõe a prencher os espaços nos lugares corretos. Helpeless Child é uma balada comum feita a partir de um sintetizador enquanto People é cadenciada e bastante pessoal. O melhor momento do disco acaba ficando com a expansiva Wash Over Me. Troca de vocais femininos e masculinos e instrumentação mais rápida fazem da música puro anos 1980.

Quase como um revival do Talking Heads mas ao mesmo tempo original em experimentos mais eletrônicos, Body Parts é uma grata surpresa. Não chega a decepcionar em nenhum momento e traz uma tentativa de recriar um movimento muito famoso na década perdida, a New Wave. Se conseguir reproduzir tudo o que foi construído neste disco ao vivo, o grupo tende a se tornar uma banda ainda mais diferenciada ao optar por fazer um ritmo pouco explorado nos tempos atuais.

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BOM PARA QUEM OUVE: Talking Heads, David Byrne, Cults
ARTISTA: Body Parts
MARCADORES: New Wave, Ouça

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.