Resenhas

Bruno Bruni – Broovin 3

Novo trabalho do músico paulistano é uma bela viagem jazzeada com ecos de funk e música brasileira

Loading

Ano: 2023
Selo: Matraca Records/YB Music
# Faixas: 7
Estilos: Jazz
Duração: 32'
Produção: Bruno Bruni

Deve haver quem entenda Broovin 3 como uma “viagem no tempo”, já que aquilo que Bruno Bruni propõe com o disco evoca aquele Jazz que faz por merecer o J maiúsculo: grandes músicos que desenvolvem juntos temas musicais sem pressa, no geral, de chegar a uma conclusão. Mesmo que o funk e a música brasileira estejam presentes em corpo e alma ao longo da obra, estamos falando de um “disco de Jazz” do jeitinho que entendemos o termo.

É o modo “clássico” de fazer música – um produtor/compositor recebe instrumentistas, vocalistas e até produtores para soprarem ainda mais vida às suas criações. Nomes como Laura Lavieri e Marina Marchi (em duas faixas) marcam presença no quesito “vozes” do álbum, e gente do naipe de Gui Jesus Toledo, Nico Paoliello, Ana Frango Elétrico e Kassin colaboram em algumas das produções ao lado de Bruni. Para os demais timbres, são dezenas de profissionais presentes ao longo de Broovin 3.

O modus operandi do Jazz dita as regras na abertura “You’re Alive”, que recebe instrumentos aos poucos e estabelece um trajeto cheio de surpresas por quase sete minutos. Na sequência, “Call Me” traz ares mais contemporâneos com seus beats, só que todo o raciocínio em seu desenvolvimento – e os 40 segundos a mais do que a anterior – não escondem a presença, ao menos em espírito, do Jazz como o conhecemos desde sempre.

Deve haver, portanto, quem entenda Broovin 3 como uma “viagem no tempo”. Mas é possível também olhar para a obra e situá-la no “aqui e agora” – o local sendo São Paulo e sua cena jazzística, e a época sendo um momento pós-pandemia, temperado com ares de desastres climáticos e turbulências sócio-políticas. A música, nesse contexto, tem sido um renovador de ânimos sempre muito eficiente, e obras como esta são prova disso.

Há uma atmosfera colorida, volumosa e convidativa para o ouvinte que teve muito o que suportar (as mesmas coisas que Bruni e seus companheiros passaram durante a feitura da obra). Seu próprio caráter aglomerador pode ser entendido como fruto dessa época, já que é possível imaginá-lo sendo concebido ao mesmo tempo em que seu irmão mais velho, Broovin 2 (2021), em uma época de isolamento. Agora é hora de estarmos juntos, seja para tocar ou para curtir um som desses.

Tudo isso reforça a sensibilidade de Bruno Bruni para não só fazer música com a excelência que se propõe – o que, por si só, é um objetivo mais do que alcançado com o disco –, mas também o de saber dialogar com o presente, ainda que com ferramentas do passado. Cabem aqui experimentos muito simpáticos (como a curtinha “O Jardinzinho”) e canções groovadas que você vai querer cantar junto (“Ela Sabe”, por exemplo). E o encerramento com “No Escuro”, batendo os seis minutos e meio de duração, aponta para um futuro muito empolgante para o músico ao fazer a seu modo aquele Jazz de sempre.

(Broovin 3 em uma faixa: “Call Me”)

Loading

ARTISTA: Bruno Bruni

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.