Resenhas

Death From Above 1979 – Outrage! Is Now

Dupla canadense faz disco interessante sem impressionar

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Ano: 2017
Selo: Last Gang
# Faixas: 10
Estilos: Rock Alternativo, Funk Rock
Duração: 36:04
Nota: 3.0
Produção: Sebastien Grainger e Jesse F. Keeler

O duo canadense Death From Above 1979 não esperou dez anos – tempo decorrido entre o primeiro e o segundo álbuns – para lançar este Outrage! Is Now, seu terceiro trabalho. Sebastien Grainger e Jesse F. Keeler retornam à cena com mais um disco em que deixam de lado as influências dançantes e Eletrônicas em favor de uma sonoridade mais pesada e barulhenta. Claro, há muita gente disposta a ouvir e bater cabeça com os riffs metalizados de guitarra que são extraídos do baixo, através de uma engenharia de efeitos e subversões mil, porém, sempre hemos de lamentar o desfavorecimento de beats dançantes e marotos em relação à barulheira pura e simples. Mesmo assim, o disco é interessante.

Ouvindo as dez faixas do disco, a vontade que deu no crítico musical foi apenas reproduzir a crítica que fez há três anos do disco anterior, The Pshysical World. Não é preguiça, claro, é apenas uma sensação de falta de novos argumentos diante da proposta assumida pela banda. Saem Dance e malemolência, entram porrada e caos. E passa a régua. A sensação permanece esta, além da quase certeza da sonoridade da dupla funcionar melhor em buracos suarentos de pequeno e médio portes, em vez de estádios gigantescos. A produção, a cargo do próprio duo, entrega um produto bem feito e pensado, acenando com o que parece a ideia que eles fazem de linha evolutiva. Nada errado, claro, o caminho se insinua pela aproximação com as pegadas estilísticas do Metal e do Stoner – em menor escala – com a adoção de uma velocidade média nas gravações, que pode acelerar bastante, de acordo com a proposta.

Entre as dez faixas, há momentos bem interessantes, que previnem a audição contra o tédio. A segunda faixa, Freeze Me, deve ter causado arrepios nos fãs mais ortodoxos, uma vez que é um abraço fraterno que a dupla aplica no Pop mais tradicional, com direito a uso de pianos, refrão harmonioso e linha melódica bastante convencional. A barulheira habitual soa contida intencionalmente e dá as caras em poucos momentos, como uma brincadeira de esconde-esconde, com um efeito final bastante legal. Momentos em que a dupla se permite mergulhar nas possibilidades de timbragens malucas do baixo-que-é-guitarra são os pontos altos, como, por exemplo, em Caught Up, que tem início que se arrasta intencionalmente em meio a batidas que pegam emprestado algo do Hip Hop, num climão quase Funk Rock do início dos anos 1990. A mesma sensação vem em Never Swim Alone, que parece algo que Faith No More gravaria em 1990/91. Tal aproximação com essa variante noventista do Funk Rock é interessante e bem vinda. Outro bom momento é o riff metralhadora de Moonlight, tão eletrônica e maluca, que chega a arrancar um sorriso do semblante deste que vos escreve.

Falando em Eletrônica, temos em Statues um bom exemplo de som grande (e não grandioso, há diferenças), com tempero de batidões sincopados da bateria e um riff grudento que parece vir de todos os cantos. Pena que estes momentos ainda não dominem totalmente o álbum, que volta à normalidade com All I C Is U And Me (apenas ok), NVR 4EVR (que seria mais legal se tivesse uma mixagem mais suja) e a faixa de encerramento, Holy Books, com a bateria chegando na velocidade máxima atualmente permitida pela dupla, que, se não é algo próximo do Hardcore, não chega a fazer feio.

Disco feito para fãs e que deve capturar a audiência mais sintonizada com as variantes modernas de som pesado. Nada de errado por aqui e ainda deixou a gente com esperanças por um novo trabalho totalmente maluco, pesado, eletrônico e subversivo. Dá pra sonhar.

(Outrage! Is Now em uma música: Statues)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.