Resenhas

DOLPHINKIDS – Bluebird EP

Escolhas interessantes marcam trabalho de estreia do duo brasileiro

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Ano: 2016
Selo: Independente
# Faixas: 6
Estilos: Synthpop, Dream Pop, Pop Eletrônico
Nota: 4.0
Produção: João F P Irente
SoundCloud: /tracks/269337394

Ouvir um disco é sempre um exercício de tentar desvendar as decisões que os artistas fizeram em relação ao seu trabalho, decifrar os porquês de perguntas que ninguém verbalizou para que entenda-se a obra da melhor maneira que é possível compreendê-la sem essas respostas.

Bluebird é um EP que projeta no ouvinte (ou ao menos no resenhista) um interesse de conhecer mais de DOLHPHINKIDS, ainda mais quando tem-se a informação que esse é seu primeiro lançamento. Acima de tudo, é curioso notar como um projeto recente fez escolhas que fazem as dúvidas irem muito além de suas referências.

A primeira surpresa vem na introdução, com Dream I Had e sua cara de algo que Metronomy também teria feito. Uma das principais características do projeto, o vocal de Larissa, fica em segundo plano em uma faixa que é pura ambientação. Quando Seasons, a música seguinte, começa, você que já ouviu DOLPHINKIDS antes reconhece que trata-se sem dúvidas de um trabalho do duo, com um aspecto denso e sombrio que contrasta bem com o timbre angelical da voz da cantora.

Por falar em expectativa, é curioso notar que o single Dead Lullaby não faz parte do repertório – talvez porque a canção já cumpriu sua função e agora é vez das outras, talvez porque agora é hora de Meet Me in Mars brilhar como protagonista. Realmente, ela é o centro do disco e mostra-se a melhor coisa que a dupla já fez. É culpa de sua alta qualidade que Beyond the Blue Planet (que parece ser sua contrapartida temática no universo lírico do EP) fique um tanto apagada no repertório, ofuscada pela anterior.

Together We’ll Rust chega com um volume diferente das anteriores e uma levada quase roqueira – ruidosa e abafada – para dar um outro tempero ao repertório. Com cara de fim de disco, ela ainda dá espaço à instrumental Lonely Party, a menos impressionante do EP – não pela ausência do vocal, mas por ser exatamente o que você esperaria de uma faixa instrumental em um disco desses.

Dá para ver que tudo foi escolhido com muito carinho, o que sempre resulta em curiosidade de quem ouve. Abusando da metalinguagem mais uma vez, optei por ouvir Bluebird apenas uma vez antes de me debruçar no texto dias depois, com ele novamente ao fundo, para ver se surgiriam novas respostas para as perguntas na minha mente. Felizmente, o que mais me gerou foi a vontade de escutá-lo outras vezes, sendo o maior dos interesses justamente ver o que DOLPHINKIDS ainda nos oferecerá daqui pra frente.

(Bluebird em uma faixa: Meet Me in Mars)

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BOM PARA QUEM OUVE: Broods, CHVRCHES, Purity Ring
ARTISTA: DOLPHINKIDS

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.