Resenhas

Dônica – Continuidade dos Parques

Estreia da banda carioca evidencia suas influências em obra de grande beleza

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Ano: 2015
Selo: Sony Music
# Faixas: 11
Estilos: Pós-MPB, MPB, Progressivo
Duração: 49:00
Nota: 4.0
SoundCloud: /tracks/112687815

É Oficial, a primeira faixa de Continuidade dos Parques evidencia duas características da banda Dônica que encontraremos até o fim do trabalho: Sua inspiração em décadas passadas para criar algo essencialmente contemporâneo e sua inspiração genuinamente brasileira, com todas as implicações que uma frase dessas carrega.

Fica claro também que o quinteto carioca se compromete com o aspecto mais torto e sinuoso das composições e arranjos, como seu EP já mostrava. Em sua estreia no formato LP, as quatro músicas do lançamento anterior retornam em bela companhia de faixas ora inéditas, ora velhas conhecidas de quem acompanha a banda.

904 é de uma simpatia discreta, apesar de uma dinânica carismática – você nota sua presença imediatamente e gosta cada vez dela ao longo de sua própria progressão -, assim como sua irmã Carrossel. Há ainda uma faixa instrumental (Inverno) e a presença de Milton Nascimento em Pitor, lançada semanas antes do disco, vem para confirmar a importância do músico mineiro na formação estilística (e na popularidade) da banda. São escolhas que mostram a que Dônica veio sem deixar dúvidas.

Se por um lado parece faltar um pouco de identidade (ou melhor, identificação do ouvinte) nas letras – um fator mais pessoal, menos distante na poesia -, há beleza de sobra pelas faixas do disco, o que faz com que Continuidade dos Parques seja uma obra que proporciona uma experiência sempre bela ao ser ouvido.

Um trabalho que mostra o quanto Dônica é a melhor alternativa abraçada pelo mainstream no Brasil em muito tempo. Fica a esperança desse ser o som que ouviremos por todos os lados nos próximos meses – a vida seria mais bonita assim.

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BOM PARA QUEM OUVE: Lô Borges, Baleia, Onagra Claudique
ARTISTA: Dônica
MARCADORES: MPB, Ouça, Pós-MPB, Progressivo

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.