Resenhas

Fang Island – Major

Banda americana proporciona uma alegria interessante com certas doses de nostalgia que certamente lhe farão sorrir, ainda que somente na primeira audição

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Ano: 2012
Selo: Sargent House
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Post-Punk, Punk-Rock
Duração: 45:12
Nota: 2.5
Produção: Keith Souza

A Fang Island, banda americana de Indie Rock, define seu som como uma grande celebração em que o público distribui high-fives(cumprimento em que se bate a palma da mão no alto) entre si. Misturando algumas referências diversas, como o Post-punk americano, solos de guitarra com influências de Metal e vocais que nos lembram Pop-Punk, o grupo levanta a questão em Major, seu segundo trabalho: tanta mistura dá certo e realmente alegra o seu ouvinte?

Dentro do trabalho, nos deparamos com uma certa nostalgia de um estilo de música que fez a cabeça de muitos adolescentes no início da década passada, o Pós-Punk mais comercial. Guitarras em powercord, vocais adocicados com timbres leves e uma falsa sensação de que estamos diante de uma banda pesada com seus solos agudos e distorções são imagens que retornam à cabeça quando este tempo é relembrado.

Canções como Sisterly e Seek It Out conseguem tirar um sorriso do canto do rosto justamente por nos deixar saudosistas com um tempo que não volta mais. No entanto, como em bom álbum de fotografias em que existem fotos que você gosta de rever, existem também aquelas que sua mãe insiste em mostrar para seus amigos e te envergonhar. A sensação passada é a mesma, um pouco de vergonha de um som que passou por sua vida mas que não se encaixa mais tão bem nos dias atuais.

Toda a alegria que a banda se propõe a realizar é bem feita, com músicas que exalam sorrisos, climas ensolarados e diversão. Entretanto, ao seguir uma estrututra muito básica do Rock, com versos-refrão-versos-refrão, o grupo acaba cansando mesmo quem só está lá para se divertir. Momentos como Make Me e Asunder, ambos com mais de cinco minutos, são extremamente repetitivos e tornam um pouco nauseante essa felicidade proporcionada.

Never Understand teve sua estrutura feita a partir do riff principal, fato observado pelo verso “I hope I never understand que segue exatamente o mesmo timbre, mas através da voz. Apesar de parecer um pouco preguiçosa, é uma boa canção. Surpreendentemente, nas músicas só instrumentais, Dooney Rock, Country-rock de primeira, e Chompers*, quase um Metal, temos belíssimos momentos que reverenciam a qualidade musical de seus integrantes.

Regalia é o auge do disco, pois sabe dosar muito bem as referências que a banda se propõe sem cansar o ouvinte e ainda trazer as melhores características da banda: a sua bateria constante e os solos de guitarra épicos, essas sim que servem muito bem para se mostrar os dentes quando escutadas.

Kindergarden, Victorian e Chime Out são estruturadas no piano e teclado. Enquanto a primeira é extremamente genérica, e por isso mesmo não deveria iniciar a obra, as outras se mostram distintas. A canção vitoriana tem um teclado progressivo dançante interessante, chega a ser um pouco repetitiva devido a sua longa duração, mas traz um frescor à obra. A terceira é mais épica, muito bem produzida, e tem um bom refrão pra ecoar na sua cabeça.

É inegável que você vai sorrir quando escutar a Fang Island, banda que transpira uma alegria que é difícil de ser explicada. Entretanto musicalmente, Major é repetitivo, nostálgico demais e não traz nada de novo, infelizmente. A rotação do disco logo se torna um momento de alegria único, de difícil repetição em sua integridade e somente lembrada em algumas poucas canções.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ok Go, Green Day, Autoramas
ARTISTA: Fang Island

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.