Resenhas

Graham Coxon – A + E

Se você esperava mais um disco do Blur, pode desistir, pois este é uma viagem entre o Kraut Rock e o experimentalismo como só Coxon sabe fazer. Em seu oitavo álbum, o músico se mostra mais criativo do que nunca

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Ano: 2012
Selo: Parlophone
# Faixas: 10
Estilos: Britpop, Experimental,
Duração: 46:30
Nota: 4.0
Produção: Ben Hillier

Graham Coxon ficou conhecido como o guitarrista estranho do Blur. Ele também tinha atribuições de letrista e, às vezes, vocalista, mas sua verdadeira função na banda era tocar seu instrumento. É claro que com alguém como Damon Albarn no mesmo grupo ele ficaria em segundo plano, e disso surgiram várias brigas entre os dois, o que levaria à saída de Graham em 2002 (que voltou em 2007, quando a banda se reuniu para alguns shows).

Durante o tempo que esteve no Blur, ele gravou três discos solos, que passaram despercebidos do grande público. Foi somente em 2009, com o Folk psicodélico de The Spinning Top, que Graham atingiu uma certa notoriedade em seus projetos solos. A + E já é o oitavo disco de sua carreira solo.

De Folk, seu novo trabalho não tem nada. Ele é todo construído com um clima industrial e uma influência do Krut-rock muito forte. Os arranjos contam com uma linha de baixo pulsante e forte que acabam deixando os teclados em segundo plano e eventualmente o saxofone aparece rasgando as músicas. A guitarra tem um papel fundamental no disco, suas levadas e os belos riffs ajudam a construir a sonoridade juvenil e enérgica, alem de trazer alguns ecos de Superchunk e Pavement.

É estranho ver um cara com mais de 40 anos fazendo esse som juvenil com guitarras distorcidas e versos sobre noitadas violentas, certo? Errado. Coxon parece ter rejuvenescendo nos últimos anos não só com o penteado, que mudou desde a época de Leisure, mas também nesse espírito de tentar coisas novas e de se reinventar.

Neste álbum, ele toca todos os instrumentos (incluindo o saxofone) e ainda brinca e experimenta com vários estilos: City Hall ganha uma sonoridade do Post-Punk inglês, Seven Naked Valleys parte pro Trash Pop, Bah Singer tem certo toque de psicodelia e, como não podia faltar em um disco de alguém que esteve no meio do Britpop, a baladinha *Ooh, Yeh Yeh (que destoa de todo o resto do álbum) ecoa o som que ele fazia com o Blur.

Esse é o álbum mais completo de Coxon, com nove das suas dez músicas (tirando a faixa que lembra sua antiga banda) revelando o brilhantismo e a capacidade criativa do músico. É aí que nos perguntamos se Albarn colocava-se como única fonte criativa do Blur, desperdiçando o talento de seu companheiro – infelizmente.

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BOM PARA QUEM OUVE: Damon Albarn, Blur
ARTISTA: Graham Coxon
MARCADORES: Britpop, Experimental

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts