Resenhas

Gustavo Galo – ASA

Difícil de definir, integrante da Trupe Chá de Boldo imprime sua personalidade e experiências em seu primeiro álbum autoral

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Ano: 2014
# Faixas: 11
Nota: 2.5
Produção: Gustavo Ruiz e Tatá Aeroplano

Dotado de uma força carregada de originalidade e conseguindo manter-se autêntico mesmo com uma amálgama de referências, ASA, o disco de estreia da carreira solo de Gustavo Galo, integrante da Trupe Chá de Boldo, logo de cara já mostra a personalidade do artista, impressa em cada música ao longo do registro. Ele incorpora as características de um disco solo, mostrando que Galo é a figura central, praticamente o tempo todo. O álbum foi feito para que ele estivesse ali, sob todos os holofotes e roubando toda a atenção. Inclusive, segundo palavras do próprio músico, “carreira solo é muito triste”, que ainda completa que não aguenta esse nome. Ele argumenta estar “acompanhado de um monte de gente boa”, referindo-se aos músicos da banda e seus parceiros no disco que estiveram durante a produção.

O disco conta com onze faixas sob a produção de Tatá Aeroplano e Gustavo Ruiz, e foi gravado por Otavio Carvalho no estúdio Submarino Fantástico, tendo ainda a participação dos integrantes da banda. Gustavo escolheu explorar diferentes interpretações, priorizando o poder de suas canções e teatralidade. Elas, por sua vez, trazem um clima muito bem definido que permanece ali do começo ao fim do registro, mostrando um comprometimento real e sincero com as letras. As composições trazem nomes como Peri Pane, Marcelo Segreto, Walter Franco, arrudA, Tatá e o próprio Galo, transformando assim o álbum em algo completo em seu próprio ciclo – e, inclusive, o álbum funciona como um ciclo, devendo ser apreciado do começo ao fim.

A música parece ter sido feita de uma maneira diferente, mais direta, sem enrolação, mais crua, mas ainda visceral nos arranjos, mesclando músicas de sonoridade expressiva com outras que trazem um clima mais acústico. O resultado que pode ser ouvido em ASA é um trabalho mais enxuto, ainda muito difícil de definir. Tudo o que percebemos é que Galo está impresso ali, da forma mais descarada possível. Inclusive, é o que ele argumenta neste mini-documentário em seu canal no Youtube, no qual fala sobre o álbum.

A teatralidade das canções parecem dar abertura para grandes interpretações ao vivo, dando espaço para o músico mostrar mais de si mesmo e de diferentes formas no palco. A experiente produção de Gustavo Ruiz e Tatá parece ter ajudado o registro a cercar-se de um cuidado redobrado com cada timbre que aparece ali, como um trabalho muito único, mostrando que Galo oscila entre um músico que imprime a sua marca e personalidade em um trabalho extremamente autoral com relatos e impressões pessoais sobre sua vida, contrapondo com o lado do músico que quer se mostrar e lançar-se para o mundo.

ASA nos convida a mergulhar em seu mundo, suas ideias, expressões e impressões, de um jeito às vezes delicado, às vezes intenso, mas sempre sincero. E é exatamente isso: um trabalho que busca mais a sinceridade em si do que vontade de ser qualquer outra coisa específica. Apesar de não ser o meu estilo favorito de música ou não passar tanto por gostos pessoais desta que vos escreve, não deixa de ser um álbum brasileiro muito bonito que merece destaque pelo cuidado e qualidade apresentados.

Gustavo Galo – Moda

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BOM PARA QUEM OUVE: Rubel, Tulipa Ruiz, Pélico
ARTISTA: Gustavo Galo

Autor:

Largadora por vocação. Largou faculdades, o primeiro namorado e o interior. Hoje só quer saber de arte, cinema, música, fotografia e sair correndo pelo mundo.