Resenhas

illuminati hotties – Let Me Do One More

Em meio ao revival do Punk Pop, a banda liderada por Sarah Tudzin entra, à vontade, pela porta da frente

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Ano: 2021
Selo: Snack Shack Tracks/Hopeless Records
# Faixas: 12
Estilos: Punk Pop, Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 41'
Produção: Sarah Tudzin

No revival do Punk Pop, illuminati hotties entra pela porta da frente não por ter se alinhado a uma tendência recente, mas por ter sempre abraçado essa estética em sua obra. Let Me Do One More, seu terceiro álbum, mostra que a banda encabeçada por Sarah Tudzin segue sua proposta tão esperta de dialogar com um território do Indie Rock e do Rock Alternativo sob a luz de uma inspiração Punk e uma alma criativa e bem-humorada.

Com grande liberdade, o quarteto pega emprestado os timbres característicos que esses estilos têm em comum e coloca toda a gasolina em um baixo potente que acompanha muito bem os vocais de Sarah – o que a abertura com “Pool Hopping” mostra tão bem. Se a banda não tenta reinventar a roda, ela aproveita sua fluência nessas abordagens para criar um repertório muito mais interessante do que têm feito os wannabes, os que tentam hoje surfar em um mar no qual illuminati hotties veleja desde que surgiu.

É fácil ver a obra também com o intuito de ser um álbum redondinho, com lados A e B demarcados por faixas de transição – “Protector” encerra a primeira parte em um lugar melancólico e até mesmo etéreo, enquanto “Joni: LA’s No.1 Health Goth” recupera o ritmo com muito fôlego – e uma dinâmica entre as músicas que facilita sua audição contínua, bem aos moldes de uma época antes do streaming.

A simpatia do álbum é reforçada com a presença de Buck Meek em “u v v p” (que declama versos sobre uma guitarra quase Country) e de Alex Menne na curtíssima “Toasting” (quase uma vinheta, uma música que começa a crescer e, ao invés de se desenvolver, termina antes mesmo do seu clímax, aos 37 segundos). São provas do espírito chistoso que domina Let Me Do One More e não deixa essas escolhas criativas caírem em uma interpretação de uma obra que se leve a sério demais.

Pelo contrário, o Punk sopra pelas 12 faixas em seu caráter mais jovial, com algumas frases divertidas sendo gritadas aqui e ali, umas mudanças bruscas de clima (como na tranquilíssima e quase fofa “The Sway”) e até uma quantidade incômoda de sinceridade na derradeira “Growth”, sobre a melancolia da vida adulta e nossa dificuldade de criar conexões profundas. Enfim, uma audição completa oferecida por um álbum que lucra com o quanto ele combina com “o som do momento”, mesmo sem ter sido feito com isso em mente.

(Let Me Do One More em uma faixa: “Pool Hopping”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.