Resenhas

Julia Stone – Sixty Summers

Do Indie ao Pop eletrônico, novo álbum demonstra que a artista australiana é capaz de se reinventar como intérprete

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Ano: 2021
Selo: BMG
# Faixas: 14
Estilos: Pop Alternativo, Indie Pop, Indie
Duração: 43'
Produção: Thomas Bartlett e Annie Clark

Foram nove anos até que Julia Stone lançasse um segundo álbum sem seu irmão Angus. Diferente de By the Horns (2012), o que ela apresenta em Sixty Summers é um clima cheio de (segundas?) intenções Pop que distancia ainda mais sua persona solo do universo de inspirações Folk conhecidas no duo Angus & Julia Stone.

É difícil começar a falar sobre a obra se não por aí, até porque qualquer um familiarizado com o nome da cantora australiana perceberá o quão longe ela foi de sua origem, ao ponto de que a audição do disco, de tão pautada por essas diferenças, faz com que o álbum tenha cara de um grande argumento para o que ela deseja fazer musicalmente – uma estética que desenha e faz sua residência na linha nada tênue entre os elementos que são referência no Indie contemporâneo e o Pop de cunho eletrônico.

Observar que sua dupla já trabalhava outros elementos em Chateau (2017) não dá conta da surpresa que é ver Julia adornada por uma outra ambientação para que ela possa levar sua voz também a um novo lugar. Não é exagero dizer que ela se redescobriu como intérprete, e cada faixa nos introduz a alguma característica de seu vocal. Mesmo com uma grande riqueza de timbres que compõem cada arranjo, sua voz é sempre o instrumento mais interessante.

Esse fator valida o caráter autoral – a assinatura Julia Stone – em Sixty Summers, que tinha chances de ser visto como um “disco de produtor”, tamanho o carisma da dupla Thomas Bartlett (Yoko Ono, Norah Jones) e Annie Clark (uma certa St. Vincent), que assinam juntos a produção da obra. Os dois incorporam muito bem o espírito Indie ao formato de canção Pop (ou “Pop de Cantora”) e o resultado é uma seleção de faixas com refrãos pegajosos, compostas por timbres fora do convencional, alguns até mesmo um tanto ruidosos.

Cada música é tratada como um universo muito particular para receber a interpretação da cantora, e sua voz acaba sendo o fator de coesão entre todas elas. Do Indie Pop romântico de “Dance” (que ganha uma versão em francês incluída ao final do repertório) à dançante “Who”, Sixty Summers testa a versatilidade da cantora das mais diversas formas em um formato longo para nossos dias (43 minutos), com a variedade como sua aliada para uma audição sempre prazerosa.

Entre tanto capricho de produção e elogios à cantora, fica também a sensação de uma obra um pouco “em cima do muro” que, ao tentar ser diferente da grande maioria dos lançamentos Pop, fica um pouco semelhante demais àquela minoria de discos que também ocupam a intersecção com o Indie. Aos fãs desse subgênero híbrido, o álbum oferece belos momentos – como a percussiva “Free” ou a balada “We All Have”, dueto com Matt Berninger (The National) –, mas o propósito ao qual ele melhor serve é o de trazer uma nova visão a respeito do que a cantora é capaz de realizar.

(Sixty Summers em uma faixa: “Substance”)

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ARTISTA: Julia Stone

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.