Resenhas

Little Boots – Nocturnes

Victoria Hesketh volta quatro anos após sua estreia com mais personalidade, porém com uma musicalidade sem sal que não convence

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Ano: 2013
Selo: On Repeat
# Faixas: 10
Estilos: Electro Pop, Electro House
Duração: 50:12
Nota: 2.0
Produção: Victoria Hesketh, James Ford, Andy Buttler
SoundCloud: /tracks/83802047
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fnocturnes%2Fid605360

Mesmo que a estreia de Victoria Hesketh e seu Little Boots tenha acontecido somente em 2009, com Hands, a moça já estava ativa na cena eletrônica inglesa alguns anos antes deste lançamento e sempre acompanhando cegamente os novos rumos dela. A cada novo single a moça parecia ir para um novo lado, seguindo sempre a tendência daquele momento. Este primeiro disco é assim, um apanhado destes singles e faixas produzidas durante estes anos de absorção e aprendizado, tornando-se um registro interessante (para época) e que acabou por fazer certo barulho e chamou a atenção da mídia. Hoje em dia, ele perde muito de sua força, visto que os gêneros com que Victoria brinca foram explorados por tantos outros músicos e produtores – e, estes, na maioria das vezes superando o resultado obtido pela moça.

Já em Nocturnes a história é um pouco diferente. Tentando ganhar em personalidade, a moça acabou perdendo muito de sua energia, espontaneidade e apelo que tinha lá em 2009. No geral, esta nova obra amontoa faixas repletas de batidas e progressões pobres e pouco criativas e que se dedicam mais a parte lírica – o que também não é um ponto forte de Victoria. O resultado é um disco descartável e sem sal, que carece de momentos marcantes e não convence como álbum.

Ele trabalha mais uma vez com ritmos da década de noventa, desta vez os trazendo em um volume consideravelmente maior e deixando de lado grande parte dos grooves e sonoridades Disco tão presentes em Hands. A presença da House se faz em grande parte das faixas, o que as tornam saturadas, previsíveis e, mais uma vez, descartáveis. Afinal de contas, a moça não agrega nada de novo ao que já era feito dentro do gênero. Até mesmo o apelo radiofônico fica em segundo plano aqui, jogando fora o grande trunfo da musicalidade divertida de Little Boots.

Ainda assim, certos pontos melhoram em relação à Hands. A produção, assinada por nomes como James Ford (Simian Mobile Disco) e Andy Buttler (Hercules and Love Affair), fica mais direta e consegue deixar as faixas mais urgentes. A voz de Victoria se apresenta mais estável (ainda que sem muita mobilidade) e aparece quase como mais um instrumento – talvez o que ganhe mais destaque entre os outros tantos som genéricos abarcados em cada faixa.

Canções como Motorway, Broken Record e Shake até tentam segurar o clima do disco, mas após estas, colocadas logo no começo do álbum, mais nada se destaca neste álbum carente de hits ou de pelo menos algumas faixas de peso. Ainda que bem uniforme, suas músicas me parecem ocas e sem nada que chame realmente a atenção.

Little Boots – Broken Record

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BOM PARA QUEM OUVE: Dragonette, Charli XCX, Ladyhawke
ARTISTA: Little Boots

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts