Resenhas

M.I.A. – AIM

Identidade da artista é flexionada em múltiplas direções para dar conta de vários objetivos

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Ano: 2016
Selo: Interscope
# Faixas: 12
Estilos: Eletrônica, Hip Hop, Indie R&B
Duração: 39:49
Nota: 3.5
Produção: Blaqstarr, Diplo, Fakear, Léo Justi, M.I.A., Polow da Don, Richard X, Skrillex, Surkin, The Partysquad, ADP, João Barbosa, Justus Arison, Levi Lennox, MC Renee, Spanker

Os fãs bem sabem que AIM foi um disco de lançamento sofrido, com direito a M.I.A. revelar nas mídias sociais que queria vazar o álbum e que ele provavelmente seria o último que faria com uma grande gravadora. Daí, ouvir o sucessor de Matangi tendo acompanhado tudo isso permite uma leitura que levanta algumas questões sobre as escolhas feitas em sua produção.

AIM pode ser visto como um formato bastante tradicional dentro do mainstream, com um lado-A que fisga o ouvinte pelos hits e uma segunda metade reservada a sons que a artista parece não esperar que todos ouçam. Como uma cantora que já gravou com Madonna merece, foi recrutado um batalhão de produtores de primeira – nomes como Skrillex, Diplo e Léo Justi são só alguns -, participação especial de um grande nome Pop (no caso, Zayn) e o lançamento veio já com uma versão de luxo com cinco faixas a mais, tudo de forma com que a grande mídia tenha muito assunto para propagar essa pauta a um público que, diante disso, entende a escala que o nome M.I.A. possui.

Ao mesmo tempo, quem já conhece a cantora/rapper/produtora notará facilmente aquela identidade construída em músicas como Bad Girls e Paper Planes, dos temas políticos (a abertura com Borders é eficiente em mostrar seu propósito) a uma produção que se preocupa em sair da caixinha na hora de entregar os graves, os vocais e as batidas, misturando referências e disposta a inventar moda (a curtinha Jump In dá todo um novo fôlego ao lado-A por isso).

A junção desses dois universos resulta em um dos melhores singles do ano (Go Off), momentos memoráveis dentro da estética da artista (Bird Song, A.M.P. (All My People)) e um hit certeiro na parceria com Zayn. Ao mesmo tempo, percebemos uma necessidade muito grande em manter-se em diálogo com o mainstream (Finally) que perturba o interesse que Visa e Ali r u ok? poderiam despertar no ouvinte.

AIM é um disco que, muito provavelmente, terá faixas preferidas muito específicas para cada ouvinte, por conta dessa sua vida dupla, mas não deve ser a obra que fincará M.I.A. entre os nomes mais populares da temporada (uma tentativa evidente nessas escolhas todas). Se esse será seu último lançamento por uma grande gravadora, veremos os caminhos que ela decidirá no futuro – seja ele qual for, o álbum é mais um argumento de que a artista sabe fazer bem o que se propõe, basta esse objetivo ser claro e sem interferências.

(AIM em uma música: Go Off)

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BOM PARA QUEM OUVE: MC Carol, Karol Conka, Elliphant
ARTISTA: M.I.A.

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.