Resenhas

Popstrangers – Antipodes

Barulho e Psicodelia fazem deste disco uma das estreias mais interessantes do ano e acaba surpreendendo, aos poucos, os ouvintes.

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Ano: 2013
Selo: Carpark
# Faixas: 10
Estilos: Rock Psicodélico, Garage Rock
Duração: 41:00
Nota: 3.5
Produção: Popstrangers

Nomes de banda podem ou não remeter ao som que a mesma faz. Quem diria que os radiocabeças, Radiohead, fariam um som quase oposto ao que se escuta nas ondas sonoras de transmissão? Talvez, nunca um nome fosse tão pertinente a um grupo e sua estréia quanto os Popstrangers e seu interessantíssimo Antipodes.

Os mesmos vem de uma nova e efervescente cena que, cada vez mais, pode ser chamada de “Psicodelia da Oceania”, com bandas australianas como Tame Impala e Pond ,e as neozelandesas Unknown Mortal Orchestra e o Popstrangers. Algo dessa água faz com os sons sejam perfeitas viagens. Estranhos ao Pop, o grupo é consistente nas suas distorções e apresenta grande qualidade e criatividade sonora.

Jane mistura linhas de guitarra com um sintetizador ecoando um orgão. A repetição de tais elementos fazem uma introdução para que o vocal Lo-Fi possa criar a psicodelia necessária. A música é difícil em um primeiro instante, devido a sua alternância entre momentos rápidos e outros mais letárgicos, no entanto, assim como o restante do disco, com um pouco de paciência tudo é bem digerido. In Some Ways é curiosamente bizarra, dissonante mas muito boa. Sua levada cadenciada e pendular faz com que o ouvinte sinta-se levemente entorpecido pelos sons criados. Esta certa confusão é aos poucos compreendida pelos belos vocais de Joel Flyger.

A distorção e rapidez, trazem, entretanto, criações de puro êxtase e, por que não, Pop. Witches Hand traz umas das melodias mais pegajosas e grudentas dos últimos anos, muito devido a Flyger, dado que estruturalmente a música viaja com seu baixo por um Lo-Fi subaquático, um som vindo do fundo mar. Guitarras e baterias são estridentes mas colocadas no tom certo. Toques de My Bloody Valentine vibram na barulhenta What Else Could They Do. Tensão e claustrofobia dão o tom de Cat Eyes, um dos melhores trechos do disco em que a Psicodelia se torna mais sombria, trazendo vestígios das ótimas Black Rebel Motorcycle Club e Black Angels. Ao mesmo tempo, assim como em outros momentos, a sua estrutura melódica faz com que tanta abstração seja facilmente compreendida.

A ligação contínua ao barulho do Noise Rock e Garage Rock fazem de canções como Full Fat e Roy Brown momentos memoráveis, e que lembram o fato de o grupo ainda de ser membro de uma cena Underground e portanto menos ligada a elementos populares. Surpreendentemente, não pela qualidade do grupo e sim devido a tudo que foi visto até então, Heaven é um dos melhores singles do ano. Pop como o estilo deveria ser atualmente, a música está pronta para ser tocada em festas indies, sendo de longe, a melhor canção. Flyger interage organicamente com uma música simples, e com quebradas no momento certo. Quando nada parece ser mais grudento, vem um refrão em coro que faria inveja ao Phoenix, e mostra o potencial futuro para o grupo.

Melódico na medida certa, barulhenta quando necessário mas sempre criativo e conciso, Popstrangers traz um som realmente diferente em sua estréia. Não ache que você irá, no entanto, pegar logo de cara o jeito do grupo. Mas é daqueles discos que uma escutada mais aprofundada acaba trazendo situações memoráveis e viciantes. Que a estranheza do grupo continue fazendo da psicodelia e distorção os seus maiores aliados.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.