Resenhas

Soldiers of Fortune – Early Risers

“Anti-banda” promove o Rock em seu melhor estilo: Jovial e múltiplo por natureza

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Ano: 2015
Selo: Mexican Summer
# Faixas: 10
Estilos: Rock, Garage Rock, Indie Rock
Duração: 40'
Nota: 4.5

Existe uma espécie insuportável dentre os fãs de música que teme em não entrar em extinção: Os roqueiros à moda antiga. É aquele povo que aproveita a jovialidade que o Rock carrega em sua natureza para fingir-se adolescente no fim de semana com os amigos em um bar ou festival, ostentando uma camiseta preta desbotada de banda possuída há duas décadas abaixo da barba grisalha, levantando um copo descartável cheio de cerveja enquanto revive o passado ao citar entre seis e dez bandas, as únicas que consegue considerar. Seria adorável se não fosse tão patético.

De tempos em tempos, entretanto, vem um tapa na cara da sociedade de algo que parece ter saído desse meio e que conseguiria dialogar com muitos desses arquétipos, só que sem perder a noção da época em que se está (até porque nossos dias são férteis para a nostalgia). Soldiers of Fortune é justamente isso. Trata-se de um bando de “filhos da mãe” autodenominados Rock nerds na missão de fazer uma anti-banda (um projeto sem ensaio, sem composições formais e, como era pensado inicialmente, sem discos – uma regra felizmente quebrada, daí a maestria Early Risers), o que resultou em algo que consegue agradar tanto os gregos-coxinhas-grade-no-show-vim-para-ver-o-headliner, quanto um pessoal preciso-de-novidades-sem-apego-a-sub-gêneros-específicos.

O álbum passeia por dez faixas com grande liberdade – é dirigir um conversível na Rota 66 e parar em um bar de beira de estrada para uma dose ou duas – e destilando referências de outrora sem precisar apelar para os clichês mais cansativos – como um guitarrista que entende que não precisa quebrar seu instrumento no palco para ser identificado como roquenrou. Isso tem a ver com a maturidade de seus integrantes (gente que vem das bandas Interpol, Oneida e Endless Boogie), que ganham ainda o amparo de gente como Stephen Malkmus e Cass McCombs.

A qualidade das músicas é tão alta que você se percebe ansioso para que chegue a próxima por pura curiosidade. Isso tem muito a ver com o espírito desencanado com que Soldiers of Fortune trabalha, cheio de pequenas surpresas ao longo de faixas que sabem ser tão formatadas quanto o inverso disso – algo como tocar certo por linhas tortas -, sem se preocupar se isso está mais para essa ou aquela década, para aquele ou esse adjetivo. Tão bom que quase dá para aceitar a vontade de ser devoto ao Rock.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.