Resenhas

The Libertines – Anthems For Doomed Young

Disco marca volta da banda e bota na mesa algumas questões sobre sua relevância

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Ano: 2015
Selo: Virgin EMI
# Faixas: 12
Estilos: Garage Punk, Punk Rock, Indie Rock
Duração: 45:45
Nota: 3.0
Produção: Jake Gosling

The Libertines é uma banda que está diretamente vinculada ao entendimento pleno do desenvolvimento da música no segundo milênio. Inserido em uma conjuntura temporal que prioriza cada vez mais as referências de cada indivíduo, o grupo inglês ganhou fama pela releitura que propunha sobre a agressividade e ofensiva Punk dos anos 1970. Mais melódicos e dançantes, Pete Doherty e sua trupe contagiaram baladas Indie (e mainstream) com hits como Can’t Stand Me Now e Up The Bracket, sendo que sua fidelidade e apreço pelo Punk era tamanha, que o período de atividade da banda foi tão efêmero quanto o movimento original, culminando no final da banda em 2004.

Entretanto, entre um projeto paralelo e outro, esse período de coma de The Libertines foi um de grandes boatos e rumores em relação ao possível retorno do grupo. Pois bem, o momento chegou. Uma das bandas mais influentes do começo do século voltou e uma dúvida brota em nossos ouvidos: ela ainda permanece relevante, quase dez anos depois de seu término?

A resposta é controversa e não existe um registro que comprove melhor a dualidade da questão do que Anthems For Doomed Youth, o renascimento de The Libertines. Apesar da pausa, a atuação constante dos integrantes em seus projetos solo mostra que não estamos lidando com uma banda novata e, definitivamente, eles não estão recomeçando do zero. Algumas faixas mostram como o Punk/Garage Rock ainda é extremamente relevante para as expressões artísticas do grupo – exemplos disso incluem as faixas Glasgow Coma Scale Blues, com riffs bastante parecidos com trabalho mais antigos de The Vines, e Fury Of Chonburi, que mistura rítmos mais suingados com agressividades de bandas clássicas do Punk. Sim, é emocionante ver que, mesmo após dez anos, ainda podemos desfrutar daquele velho conhecido som que embalou muitas adolescências. Gratificante, porém altamente questionável.

Dez anos não foram capazes de despertar uma disposição para alcançar novas sonoridades ou uma vontade por redefinir estruturas conhecidas de álbuns antigos. A faixa Barbarians, por exemplo, mantém a fórmula conhecida de uma batida dos anos 50 com gritos revoltosos, parecidíssima com a essência de Can’t Stand Me Now. Heart Of The Matter reaplica a mesma fórmula e, por mais que seja uma divertida canção, parece que estamos ouvindo uma coletânea de sobras de seu segundo disco, The Libertines. E por mais que haja uma tentativa de transmitir mais melodiosidade com baladas divertidas, como Anthems For Doomed Youth e Iceman, ainda temos uma nítida sensação de que a banda se aconchega em escalas já conhecidas.

De qualquer forma, temos um retorno de uma grande banda. Um retorno que poderia ter sido mais grandioso e mostrado sinais de amadurecimento, ainda mais com projetos tão bacanas sendo feitos nesse intervalo (como Babyshambles. Um retorno que reacende a chama Punk daqueles que cresceram ouvindo as canções de discos passados. Enfim, um disco dúbio que põe em dúvida os novos rumos da banda. Esperemos para ver.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.