Resenhas

Tinie Tempah – Demonstration

Disco do rapper não é nada brilhante mas tem destaque nas parcerias feitas e nas suas canções radiofônicas

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Ano: 2013
Selo: Parlophone
# Faixas: 15
Estilos: Hip Hop
Duração: 1:01:36
Nota: 3.0
Produção: Diplo, Labrinth, Alex da Kid

Tinie Tempah não é dos melhores rappers. Suas rimas nem sempre são consistentes, suas letras um tanto banais e tampouco o músico possui um talento natural para melodias. Algo, entretanto, chama atenção em Desperation: a sua capacidade de criar faixas de Hip Hop extremamente comerciais e interessantes.

Tal constatação parte de um ótimo pressuposto: como Tinie carece em alguns elementos, o segredo é fazer diversas parcerias, trazer batidas contemporâneas, criar uma boa producao e voilá temos hits feitos para o rádio. Praticamente, todas as músicas aqui tem a participacao especial de outro artista, o que evidencia a nossa tese. De 2 Chainz a Big Sean e passando por Laura Mvula e Labrinth, temos um prato cheio à diversidade.

No entanto, a pluralidade não acompanha o desenvolvimento de batidas e em alguns momentos vemos muita influência externa e pouca composição própria do músico e seus produtores. Como Trampoline com 2 Chainz que possui batidas do Trap e não traz nada de novo ao genero e Don`t Sell Out que segue a mesma linha e acaba decepcionando com sua fraca recriação de M.I.A.

Quando temos um pouco mais de melodia nos refrões vemos a capacidade de suas faixas moverem-se pelas paradas de sucesso com grande facilidade. Como It’s Ok e Lover Not a Fighter ambas com Labrinth. A primeira, especialmente, tem um refrão extremamente pegajosa e conseguimos perceber o seu apelo Pop nos seus segundos iniciais. A segunda tem uma batida mais sintética e urbana, possuindo um dos grandes momentos de Tinie a frente dos vocais.

Alguns elementos irritam, como o sample de voz do rapper, dizendo ‘yeah’ que acaba percorrendo o disco todo e enchendo a paciêcia com sua utilizacao inapropiada em diversos momentos. Como o grande valor aqui está nas parcerias e no apelo radiofônico, nada mais normal do que as baladas do disco, feitas perfeitamente para os clubes, acabarem se destacando. Children of the Sun com John Martin, pode tocar em qualquer lugar, independente de ser conhecida ou não. Inevitavelmente chamará a atencao e será bem aceita. O mesmo ocorre com Tears Run Dry com Sway Clarke II, canção mais emotiva de toda obra.

Longe de chamar atenção ou revolucionar, o disco tem valor ao criar a partir de levadas ou ritmos conhecidos, faixas de Hip Hop com apelo popular. Desta forma, acaba trazendo um público que talvez não tenha interesse no estilo mas que reconhece a partir de suas composições um elemento comum que o traga mais perto. Se você procura momentos mais originais, eles podem ser encontrados aqui de forma esparsa, mas quando surgem como em Shape, os olhos brilham. Minimalista e com uma batida bem simples, a faixa se destaca na participacao de Big Sean e no seu espírito mais sensual. Ao final temos um disco comum mas com grandes capacidades de alcançar águas mais distantes através das ondas radiofonicas.

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BOM PARA QUEM OUVE: T.I., Jay-Z, Kanye West
ARTISTA: Tinie Tempah
MARCADORES: Hip Hop

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.