Resenhas

Two Inch Punch – Saturn: The Slow Jams

Ben Ash cria um EP de cinco faixas em que a criatividade teve limite e a ousadia, seu fim

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Ano: 2012
Selo: PMR Records
# Faixas: 5
Estilos: Post-Dubstep, Eletrônico, R&B
Duração: 13'
Nota: 3.0
Produção: Ben Ash

Menos de duas semanas oficialmente lançado, e tanto barulho já feito. Ben Ash, nome por trás do Two Inch Punch, liberou para streaming semana passada Saturn: The Slow Jams, o quarto EP de sua carreira. O que em 2011 era bem tímido, em Love You Up, agora mostra suas facetas. O trabalho que precede o Saturn veio trazendo o R&B, revivendo os anos 90, o Groove, o Funky. O que já era notório, hoje se consolidou como um dos produtores mais promissores e interessantes da Inglaterra. PMR Recods assinou o EP, que contém 5 faixas, algumas delas já antes já na boca (ou nos ouvidos) dos fãs, como Moon Struck e Paint in Red.

Ash, por sua vez, preferiu seguir outra linha em seu novo trabalho. Ainda com suas influências Madeonicas de corte no vocal, é possível ver grande semelhança ao que o, também inglês, James Blake costuma trabalhar em seus vocais: os cortes e amplitudes do key, vozes agudas e graves se intercalando. Algo não muito original, mas que, ao meus ouvidos, ainda se cativam. A Introlude, faixa que dá início ao EP, mostra isso já de cara, anunciando de forma (bem) rápida o que está por vir. Moon Struck, que já ganhou inclusive um clipe (deveras bizarro, inclusive) é uma daquelas faixas que se tem a impressão que já fez parte de uma trilha sonora da sua vida há anos e você não sabia. As batidas desconexas ilustram uma história de amor, em que se intercalam vocais masculinos e femininos dando vida à faixa. Paint in Red, também já conhecida pelos fãs, traz colaboração de Mikky Ekko. O que alguns intitulam como Lovestep (?) pode se encaixar, realmente, em um Post-Dubstep (bem post mesmo) com doses notáveis de sentimentalismo. A faixa é sóbria, começa tímida, e ganha espaço com synths e percussão densa, única e forte. Isso tudo completando a atmosfera mais gostosa possível com vocais sutis e intensos.

Espaço pra Optibeat, nada de inovador ou que mereça ser falado, somente 46 segundos pra respirar e se recuperar de Paint in Red. Chegamos em Digital Love Letters, faixa que encerra Saturn. Mais uma percussão forte se contrastando com vocais variando o key, ora agudo ora grave. A faixa teria grande capacidade de competir de frente com as outras 2 mais notáveis de todo EP, não fosse o experimentalismo exacerbado que acontece no último minuto da música. Os vocais passam uma mensagem bacana, eu passaria facilmente pelo vocal computadorizado, mas os synths no final demonstram certa imaturidade.

Bem como um soco no estômago, acaba Saturn: The Slow Jams. Sem nenhuma regressão, nem BPM menores ou até um fade out tímido. O que dá uma impressão de que falta alguma coisa. O produtor cresceu, isso é indiscutível. Suas influências hoje são outras e isso requer uma maturidade pra ousar, mas mantenho a opinião de que nada que ouvi foi deveras original. Pelo contrário. O Post-Dubstep, o sucesso da sintetizadora (hoje como nunca), o vocal computadorizado e seus cortes são algo bem em voga. Mas na lista de quem nos lembramos ao falar isso não encontra o nome de Ben Ash. O EP tem praticamente 3 faixas, todas muito bem produzidas, e 2 pausas pra respirar, o que também demonstra que a a critividade teve limite e a ousadia teve seu fim.

Two Inch Punch é um projeto, com certeza, para se manter o olho. As progressões de um trabalho a outro são visíveis, mas a ideia não é trabalhada de forma completa, assim como em Love Me Up que não chegou aos pés de Principle Pleasure, do Hudson Mohawke, que seguiu a mesma linha noventista. A mesma coisa acontece com Madeon e Blake. E sabe como isso foi feito? Através da inovação. Mesmo com um quarto álbum “em mãos”, a impressão é que a maturidade está vindo, mas ainda não está completa. Two Inch Punch tem talento e pegada, mas também tem uma longa estrada para percorrer.

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BOM PARA QUEM OUVE: Madeon, James Blake, Hudson Mohawke

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King