Resenhas

Unknown Mortal Orchestra – II

Muito Lo-Fi e Psicodelia dão um sabor especial ao segundo trabalho da banda, que mostra que olha pro passado com bons olhos

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Ano: 2013
Selo: Jagjaguwar
# Faixas: 10
Estilos: Lo-Fi, Rock Psicodélico
Duração: 40:00
Nota: 4.0
Produção: Unknown Mortal Orchestra

Assim como vimos nesta semana no Monkeybuzz, o retrô é o novo “novo” e o segundo trabalho da banda neozelandesa/americana Unknown Mortal Orchestra nos confirma esta tendência. Em II vemos a continuidade de linhas Lo-Fi carregadas de influências psicodélicas do final dos anos 1960.

From The Sun tem tanta semelhança com Beatles que chega a assustar. Lembranças da fase Magical Mistery Tour e Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band dos meninos de Liverpool aparecem tanto no trabalho conjunto de vozes quanto nos versos que parecem ser cantados com um sorriso no rosto. Um toque ensolarado dá um sabor especial, como pede o nome da música. Swin And Sleep (Like A Shark) é um pequena pérola de pouco mais de dois minutos e o Lo-Fi aparece com aquela notável sensação de se estar escutando uma música tocada em um quarto/banheiro.

So Good At Being In Trouble é uma baladinha romântica deliciosa. Sua bateria bem marcada e uma guitarra que alterna entre acordes e riffs bem colocados antecedem um refrão extremamente pegajoso e cantante. A música tem aquele aspecto Pop que nos contagia, nos fazendo pedindo por mais. Um Rock psicodélico mais excêntrico aparece em momentos como Monki e One At a Time, com delays misturados a baixa fidelidade de som. A sensação ao final é de um constante sentimento de letargia, como se a vida estivesse passando em câmera lenta.

As melhores músicas aparecem quando a distorção é aplicada à guitarra. No Need For a Leader tem uma veia mais concentrada no Rock And Roll, feita pra ser dançada e pulada em um show. Faded In the Morning demonstra o porquê das influências serem importantes e, quando bem aplicadas, acabam chegando a um resultado melhor que a sua origem. O seu riff inicial tem claras influências nos mesmos Beatles, no entanto, o restante da música, toda cantada em falsete, mostra que o Orchestra sabe trilhar os seus próprios caminhos e desenvolver algo com cheiro de antigo, mas extremamente original.

The Opposite of Afternoon traz outro trabalho de voz, mostrando um leque grande de ferramentas vocálicas do grupo e uma linha de guitarra que, apesar de repetida à exaustão, se mostra viciante. Antes de acabar, Secret Xtians traz um pouco de psicodelia à la Dirty Projectors, sendo um dos momentos mais alegres e divertidos do disco.

Influências de grandes nomes do passado e a qualidade de soar como se fosse de outra época sempre irão permear a música atual. Referências históricas estão ai para serem seguidas e exploradas e, quando são incorporadas a quaisquer tipos de som, e não copiadas, sempre serão bem-vindas. No segundo trabalho deste belo trio, Unknown Mortal Orquestra mostra que sabe adicionar muito bem os seus heróis do passado a mistura de um som psicodélico, Lo-Fi e de altíssima qualidade.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.