Resenhas

Wild Beasts – Boy King

Quinto disco da banda continua a trazer referências interessante para sua sonoridade

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Ano: 2016
Selo: Domino Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Pop, New Wave, Synthpop
Duração: 39:07
Nota: 3.5
Produção: John Congleton

A inovação é parte do processo de maturação artística. Incorporar novos elementos traz novas perspectivas a referências antigas, tornando a produção de um artista mutável e em crescimento constante. Wild Beats sempre entendeu muito bem isso, porém de uma forma curiosa e bastante ousada. A discografia da banda parece ter sido colhida de diversos cantos de um grande quadrado, onde a distância entre os lados é tão grande que os vértices não parecem estar na mesma figura e, brilhantemente, estão. Começando com sons agressivos e dramáticos (Limbo, Panto), passando por uma calmaria dançantes (Two Dancers e Smoother), até chegar em um profundo e melancólico ambiente (Past Tense), seus discos, por mais que parecessem diferentes, conseguiam manter sutilmente uma identidade entre eles.

Com Tough Guy, a coisa não muda. Mantendo um delicado vocal e uma produção minimalista em cada detalhe, o disco mostra o contínuo processo de mudança de uma banda que dosa bem a novidade e a tradição. Dessa vez, o grupo procura timbres e texturas mais oitentistas, evidenciado pelos sintetizadores futuristas, grandes esteriótipos do Synthwave, e um logotipo neônico digno de filmes da década. É impossível não escutar Alpha Female ou Eat Your Heart Out Adonis e não lembrar de um Kavinsky mais tímido. Mas nada aqui leva a entender este registro como uma nostalgia ou homenagem à referida década. Ele é apenas o ponto novo na sonoridade do grupo e, a partir disso, se moldam possibilidades bem interessantes para a construção de Tough Guy.

O aspecto dançante de discos passados está presente com força no lançamento. Agora, com uma compressão brutal, as baterias estão bem presentes com timbres frenéticos e vocais chicletes, como na faixa Get My Bang e Ponytail. Dreamliner resgata a essência melancólica do disco passado, usando um minimalismo preciso com linhas de piano e pads que sustentam hipnóticas sensações. Assim, começamos a tecer mais e mais relações entre álbuns, fazendo com que aquelas referências extremas dos anos 80 não sejam tão extremas assim e, portanto, compondo mais um capítulo interessante na discografia do grupo.

Tough Guy é dançante, violento, carismático e hipnótico. É quase um Stranger Things do Indie Pop contemporâneo, no qual esteriótipos se juntam para construir algo atemporal e instigante. Um estranhamento pode ser comum nas primeiras faixas, mas depois de alguns minutos você percebe que, debaixo das camadas de neon e lasers, está aquele Wild Beasts pelo qual nos apaixonamos há oito anos.

(Tough Guy em uma faixa: Eat Your Heart Adonis)

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BOM PARA QUEM OUVE: Alt-J, LCD Soundsystem, Foals
ARTISTA: Wild Beasts

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.