Resenhas

Wild Beasts – Present Tense

Novo trabalho do grupo consegue superar o aclamado “Smother” (2011)

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Ano: 2014
Selo: Domino Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie rock, Dream Pop, Synthpop
Duração: 40:55
Nota: 4.0
Produção: Leo Abrahams e Lexxx
SoundCloud: /tracks/130890725
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fpresent-tense%2Fid780124990%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Manter a longevidade e ainda apresentar novidades parece uma tarefa cada vez mais difícil para novos nomes, ainda mais aqueles que se estabelecem depois de uma obra aclamada por público e crítica. Smother(2011) foi esse ponto de virada para Wild Beasts e um sucessor superar esta obra seria uma tarefa realmente difícil. O ambicioso e sofisticado Present Tense é um álbum que o faz em todos os sentidos e que se destaca principalmente pela sua lírica e pela maneira que aborda seus temas.

Musicalmente, as idiossincrasias de Hayden Thorpe e companhia continuam presentes e em algumas das faixas se tornam ainda mais evidentes. Não é por menos, o quarteto aperfeiçoa há mais de uma década essa sua sonoridade característica e suaviza suas experimentações de forma que o ouvinte se sinta à vontade ao escutá-las. Algo difícil de conseguir e que de certa forma pode ser comparado ao que Annie Clark faz em seus discos como St. Vincent.

De maneira geral, o disco não se desvencilha tanto do que foi apresentado em seu antecessor e segue um clima quase sempre ameno e slow-motion, com construções melódicas consistentes e que crescem aos poucos. A diferença aqui é que ele é um pouco mais centrado em nos sintetizadores do que nas guitarras, ecoando por diversas vezes o Synthpop dos anos 80, mas sem parecer saudosista ou de alguma forma revivalista. Essa ambientação do álbum e os falsetes de Thorpe passam sensação orgânica, algo igualmente encantador e denso que serve como um perfeito condutor para as letras do grupo.

Tematicamente, o disco explora uma série de temas que comumente não aparecem como assuntos a serem tratados na música Pop, como política, diferença social e luta de classes. Algo que fica evidenciado logo de cara com a persona adotada dor Hayden em Wanderlust em versos como “Don’t confuse me with someone who gives a fuck”. Temáticas mais comuns, como luxúria e sedução, em Sweet Spot, ou exibicionismo e de certa forma machismo em Nature Boy também aparecem em meio às onze canções do álbum.

Talvez o único problema do álbum seja não ter um grande hit que funcione nas rádios ou mesmo que se projete de forma imponente fora do confinamento dele – o que seus antecessores possuíam. Ainda que hermético, o disco sabe crescer de forma bela e sofisticada e uma dica: ouça-o aos fones de ouvido, sua experiência imersiva é potencializada quando se blinda do som exterior.

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BOM PARA QUEM OUVE: Alt-J
ARTISTA: Wild Beasts

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts