Johnny Marr – Domingo É Dia de Chegar Cedo

Precisa de motivo melhor para você dispensar o tradicional almoço e apreciar um dos maiores guitarristas?

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Você compra o ingresso para os dois dias de um festival como Lollapalooza e faz o que? Começa a se programar para os shows, pensa no horário que quer chegar e nas bandas que deseja ver. Acreditamos que quanto mais cedo você chegar, mais irá aproveitar, apesar do inevitável cansaço. Por isso, pense bem em dispensar o almoço da vovó no domingo porque, logo às duas e vinte da tarde, poderá ver ao vivo uma lenda viva e um dos maiores guitarristas de todos tempos, Johnny Marr.

O nome não lhe remete a nada? Que tal The Smiths? Todos nós sabemos que, um dos pais do Indie Rock como o conhecemos hoje, o grupo britânico liderado por Morissey, é figura carimbada no gosto de sete entre dez leitores do Monkeybuzz por dois simples motivos: lindas letras confessionais, aplicáveis ao cotidiano e riffs de guitarra memoráveis, daqueles que quando uma música inicia toda a sua continuação vem quase que espontaneamente na cabeça. Marr não é só uma virtuoso guitarrista, mas também um dos poucos que são conhecidos pelo seu timbre e estilo de tocar, identificável assim como Mark Knopfler, do Dire Straits, Jimi Hendrix e Eric Clapton, por exemplo. Veja bem, antes que pedras sejam disparadas, não estamos comparando talento, mas identidade – algo cada vez mais difícil no mundo atual da música.

O músico chega ao Brasil para apresentar o seu primeiro trabalho efetivamente solo desde que saiu do Smiths após participações mais do que especiais em concertos e discos de nomes como Modest Mouse, Talking Heads e, mais recentemente, The Cribs. Em Messenger, lançado e elogiado no ano passado, passamos por diversas faixas que nos remetem muito bem ao seus serviços prestados em clássicos como There is A Light That Never Goes Out e Meat Is Murder. Evidentemente, sua voz não se equipara à emoção e à melodia de Morrissey. No entanto, surge de forma espontânea e surpreendente como se a sua guitarra, sempre atrelada a outros vocalistas também pertencesse a sua expressão vocálica. Logo, o saudosismo deve reverberar entre aqueles que chegarem cedo no domingo para conferir a sua apresentação.

Teremos a chance de escutar ao vivo diversas faixas que já se mostravam interessantes no compacto. São os casos de I Want The Heartbeat, garageira e nos moldes do The Cribs, aguardando uma explosão, e a viciante The Crack Up, momento escutado com intensidade no ano passado. Esperamos, quem sabe, ouvir improvisos e uma apresentação menos rígida, apesar de ser condizente com um disco lançado ano passado. Os ouvintes desatentos que passarem pelo palco Onix escutarão um característico timbre que soará como um belo dejà-vu. Sem saber onde o ouviram antes, irão naturalmente se aproximar de um dos concertos que deve se equiparar aos famosos de Of Monsters and Men, Foals, Cage The Elephant e Gogol Bordello, momentos que presentearam àqueles que “decidiram curtir um festival” e não simplesmente a sua banda favorita ao decidirem chegar cedo.

O Pop de The Smiths perde um pouco o ímpeto neste formato de Indie Rock feito por Johnny, mas serve ao mesmo tempo de lição de casa para todos aqueles que passarão pelos palcos do Lollapalooza em seu segundo dia. No meio de tudo isso, você ainda pode encontrar a chance de escutar How Soon Is Know? por acaso, ou simplesmente chegar à conclusão de que o guitarrista não é Morrissey e está muito bem com este fato. Imaginamos uma apresentação no mínimo histórica e claramente representativa de um dos maiores guitarristas de todos os tempos.

Concertos de músicos em trabalhos solo normalmente são interessantes no sentido em que uma figura normalmente secundária, mas importante em uma banda, ganha os holofotes para si, dando chance de finalmente se declarar e expor os seus sentimentos de forma clara, plena. No próximo domingo, poderemos ver quem realmente é Johnny Marr.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.