Mac DeMarco faz show cômico no SXSW

As brincadeiras do cantor desviaram um pouco a atenção da música, mas não comprometeram a qualidade da apresentação e divertiram o público

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Desde o início, Mac DeMarco deixou bem claro que não é a praia dele levar a parte técnica de um show tão a sério. Ele a a banda que o acompanhava levaram pouquíssimo tempo configurando os instrumentos e sempre fazendo piadas e brincadeiras sem noção uns com os outros durante o processo.

De repente, no meio dos ajustes, parecem ter se lembrado de que estavam ali para um show, se viraram, Mac apresentou os primeiros nomes de seus companheiros e começou com uma faixa provavelmente do primeiro disco que não consegui reconhecer. Em seguida, veio The Stars Keep On Calling My Name e a displicência de todos no palco ficou ainda mais clara. Não de maneira ruim, pois não pareciam fazer pouco caso do show e sim apenas queriam se divertir acima de tudo e seguir a postura da escolha do nome de seu segundo disco, 2, de que só a música importa, sem grandes preocupações com nomes, títulos ou maiores enfeites.

Contraditoriamente, é mostrando essa naturalidade que Mac DeMarco criou sua personalidade característica, sempre brincando com a plateia, fazendo comentários aleatórios, muitos improvisos clássicos do tipo tocar com a guitarra nas costas e outros mais ousados como o beijo de língua que deu no guitarrista durante um riff.

Cooking Up Something Good foi a terceira, com direito à introdução “agora vou tocar a faixa sobre os problemas do meu pai com metanfetamina”. Ode To Viceroy foi a segunda, seguida por Freaking Out The Neighboorhood. Todas as faixas foram comemoradas e cantadas por boa parte dos presentes que sorriam de orelha a orelha com os trejeitos do cantor no palco.

Apesar do momento divertido proporcionado pelo show, confesso que senti falta de uma preocupação maior com a parte técnica e a música em si. Entendo perfeitamente e gosto muito da ideia de que as apresentações ao vivo não devem ser idênticas às versões de estúdio, mas alguns detalhes instrumentais como pequenos riffs de guitarra e linhas de baixo se perderam um pouco em meio ao caos criado no show. Em alguns momentos, lembrava um show de Rock mais cru, meio Grunge, perdendo um pouco do suíngue que encantou no disco.

Mesmo assim, valeu muito a pena, ele mostrou que ainda tem muito a apresentar e cada vez mais fãs para ouvi-lo. O final ainda teve tempo para um mosh de Mac DeMarco durante a última faixa, Together, com direito a reclamações de que alguém passou muito tempo com a mão em sua genitália.

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ARTISTA: Mac Demarco
MARCADORES: SXSW 2013

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.