Muse: Apresentação Fraca Frustra Expectativas

Um dos shows mais esperados do festival decepciona com vocal ruim e desânimo dos integrantes

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Fotos: MRossi/Lollapalooza

Desde a divulgação do line up do Lollapalooza Brasil 2014 há quase seis meses, a expectativa para a apresentação de Muse ao final do primeiro dia de festival era grande. Entretanto, tal sentimento foi frustrado em virtude principalmente ao caso do cansaço vocal de Matt Bellamy.

Assim sendo, os grandes e apoteóticos shows que são costumeiros do trio acabaram soando tímidos, com um setlist menos explosivo e com muitas pausas, interlúdios, jams e vocais deixados muitas vezes à carga quase que apenas da plateia.

Sem um início arrebatador, tendo a tímida New Born – do não muito lembrado Origin of Symmetry -, o primeiro impacto foi com o curioso e inesperado cover de Lithium do Nirvana como terceira música, o que fez o público pular – mas isso logo se interromperia.

O show tardou para estourar e ter alguma emoção transmitida pelo público, muito em virtude de que os grandes hits, vindos dos álbuns de maior sucesso do grupo – The Resistance e Black Holes and Revelations – tardaram para serem tocados, para mais da metade do show, o que não fez o clima esquentar e muitos espectadores saíram durante as músicas.

Do ponto técnico, o som foi do começo ao fim muito baixo, tanto nos microfones quanto nos instrumentos, o que pode ter sido uma saída para esconder as imperfeições e falhas do voz de Bellamy, que claramente deixava de buscar oitavas acima nas músicas e muitas vezes jogava para o público o papel de cantar as letras, como no exemplo maior de Starlight que se tornou um grande karaokê, com o público levando do começo ao fim.

Com os próprios integrantes não mostrando muita vontade ao tocar, o show ainda somou grandes introduções, prolongamentos, jams e pausas, o que acabava piorando ainda mais o nível de interação e de atenção do expectador.

As faixas Hysteria, Time is Running Out e Madness ajudaram um pouco para levantar o astral da apresentação, que só foi ter momento de maior – mas nem tanta – exaltação nas últimas canções, já no bis, com os hits Uprising e Knights of Cydonia, mas que também foram executadas abaixo do nível que conhecemos de outros shows do trio.

Ao fim, Matt, visivelmente envergonhado, se desculpou pela voz e soltou um “See you next year” (“Vejo vocês ano que vem”), o que dá uma esperança de um show para compensar esse, que foi um dos mais fracos da banda e que, mesmo tendo conhecimento do problema vocal de Matt, que influenciou em toda a criação do setlist, acabou ocasionando uma performance monótona, sem grandes momentos de interação e entrega.

Uma noite de lamentação e frustração para o público, que esperava ver o grande show que Muse é capaz de fazer, e sempre faz, mas que acabou não obtendo sorte e levou algo bem abaixo. Fica a torcida para um show 100% no “ano que vem”, como prometou Bellamy.

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ARTISTA: Muse

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).