Resenhas

Clarice Falcão – Monomania

Letras ácidas envolvidas em melodias doces traz bom resultado para disco de estreia da jovem pernambucana

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Ano: 2013
Selo: Casa Byington Produções
# Faixas: 14
Estilos: Pop Folk, MPB, Indie Folk
Duração: 34:00
Nota: 4.0
Produção: Casa Byington Produções
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fmonomania%2Fid637038

Apesar de estar lançando seu primeiro disco agora, Clarice Falcão já não é uma novidade para o público brasileiro há um certo tempo. Postando vídeos pelo YouTube desde o segundo semestre de 2011 em viés acústico, a garota começava ali a entoar seus versos ácidos em melodias docemente cantadas, contrastando o bom humor com expressões faciais de quem mal sabia o que fazia ali sentada em seu sofá.

Vinda de uma família de artistas com um histórico positivo e um certo reconhecimento, de fato acabou sendo mais fácil para que a garota encontrasse espaço dentro da carreira que vem se arriscado entre uma aparição num filme daqui ou nas sazonais esquetes do Porta dos Fundos . Seu EP autointitulado, lançado em 2012, refletia que a musicalidade iria além do riso. Os sinais de continuidade vieram a encorpar-se ainda mais com o retorno de uma base de fãs fieis pedindo por um trabalho mais sólido da recifense radicada no Rio, resultando na compilação Monomania.

As quatorze composições apresentadas por Falcão vem permeadas de vez por um formato Folk Pop de sonoridade coesa, leve e que encanta facilmente corações adolescentes. O ukulele e um chorado acordeão trazem novidade para a canção Monomania, Macaé e O Que Eu Bebi são emplacadas com violinos e sinos , Todos os Loucos do Mundo é munida de um belo solo de saxofone e a percussão de Oitavo Andar traz palmas sequenciais e ritmo de uma meia lua marcada com as mãos. Se Janta de Mallu e Camelo é uma ode melosa ao amor, Eu Me Lembro vem como grande destaques do material, soando como um primeiro encontro no qual o real pensamento de SILVA e Clarice são expostos sem qualquer proteção.

De maneira orgânica, trabalho é apresentado nas mesmas linhas sonoras e sensibilidade de Nana e Mallu Magalhães em seus primeiros registros, mas plenamente aversa aos pensamentos confusos e a atitudes abobalhadas de ambas. Ao invés disso, a própria incorpora uma persona visualmente frágil, mas com argumentos prontos para serem servidos num bombom recheado de cianureto.

O lirismo criativo da multitarefa original de Pernambuco mostra que é possível tratar a dor e a amargura acumulada de um amor mal resolvido de uma maneira positiva e nada óbvia. Traços de psicose, tentativas de suicídio e o típico drama embebido num romance que deu errado são tratados aqui com um humor ágil, maduro e fácil que prefere rir da própria desgraça agora do que carregar um fardo para o resto da vida.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.