Resenhas

Crumb – Jinx

Banda de Boston se esforça ao tentar desacelerar o tempo com um mix de Neo Psicodelia com Indie Rock e Jazz

317 total views, 1 views today

Ano: 2019
Selo: Crumb Records
# Faixas: 10
Estilos: Trip Hop, Neo Psicodelia, Indie Rock
Duração: 27’
Nota: 3.5
Produção: Gabe Wax e Crumb

É partindo de um esforço quase heroico em ignorar os tempos frenéticos que vivemos para propor uma desaceleração que o Crumb construiu o seu repertório nos últimos três anos. Os dois curtos EPs do grupo de Boston expressam, claramente, uma predileção pela psicodelia e pelos timbres etéreos de um Pop com toques de Jazz. Aqui, no entanto, é importante pontuar que a psicodelia em questão não se presta a levar o ouvinte para uma viagem lisérgica. Ele flutua com parcimônia, vendo o chão, planando suavemente (o popular, “light trip”) pelas guitarras leves, sintetizadores hipnóticos e grooves envolventes. Locket (2017) é o melhor exemplo desta combinação.

Jinx, o LP de estreia do grupo, ao invés de apontar para outros caminhos mantém-se firme no seu ritmo. O que poderia representar medo ou insegurança por parte da banda. Contudo, o lugar escolhido para permanecerem é per se um lugar de desafio e de coragem. Assim, o Crumb aproveita para nos dar mais versões do que sabe fazer de melhor: dar-nos a possibilidade de ouvir o nosso interior. De modo que, na faixa que dá nome ao disco, eles cantam: “Todos nós nos perdemos, mas sempre voltamos”.

Com uma ambientação que remonta ao disco ao vivo do Portishead (Roseland NYC Live [1997]), “Cracking” abre o álbum com sintetizadores místicos. “Nina”, entretanto, se aproxima com um teclado Rhodes sedutor que traz elegância e suíngue para a faixa. Em “The Letter”, o grupo parece render-se mais a lisergia propriamente dita criando, assim, música que é possivelmente a mais potente do LP. Por fim, “Faces” tem um tempero Indie e certa calmaria entre suas guitarras. Isso aliado ao vocal imprevisível gera um resultado tenso, capaz de deixar quem ouve a faixa em uma posição de inquietude, como quem se pergunta: “para onde estou indo?”

Podemos não ter a resposta para o dilema de como se desacelerar na pós-modernidade, mas o disco de estreia de Crumb, certamente, oferece algumas pistas. Ou, pelo menos, se presta ao trabalho de tentar encontrar maneiras, se debruça sobre esse questão. O tempo em que Jinx acontece nos envolve. Um disco que pede de nós essa devoção e, no fim das contas, acaba nos recompensando por isso.

(Jinx em uma faixa: Cracking)

318 total views, 2 views today

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.