Resenhas

Deap Vally – Femejism

Rock feminista de duo californiano ganha corpo em seu segundo trabalho

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Ano: 2016
Selo: Nevado Music
# Faixas: 13
Estilos: Garage Rock, Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 49
Nota: 3.0
Produção: Nick Zinner

Femejism, o segundo álbum do duo californiano Deap Vally, marca a transição do grupo para uma sonoridade que é, ao mesmo tempo, menos truncada e mais assertiva.

Se o peso de sua estreia Sistrionix rendeu comparações a The White Stripes e Led Zeppelin, a “nova” faceta do grupo, temperada com o olhar do produtor Nick Zinner, perde um pouco da crueza de outrora e ganha proporções mais azedas, mais próxima da música de Yeah Yeah Yeahs ou Bikini Kill.

O grupo continua a tradição de nomear seus trabalhos através de uma apropriação bem-humorada de temáticas feministas. Enquanto nome do debute pode ser traduzido como algo do tipo “irmãs histriônicas” (ironizando o estereótipo da mulher dramática e excessivamente emocional), o título do atual é um trocadilho entre o termo “feminismo” e a ideia de “ejaculação feminina”.

A maioria das letras também transita neste território. Ideias de empoderamento em Gonnawanna (a fórmula “I wanna” e I’m gonna” vinda do Riot Grrrl aparece esporadicamente), palavras de ordem contra cantadas de rua (Smile More) e independência sexual (Two Seat Bike) são apenas alguns exemplos do universo de reivindicações de Lindsey Troy e Julie Edwards.

O Rock contemporâneo, econômico e incisivo de Deap Vally marca a evolução do próprio grupo em direção à independência: seja ela da comparação com outras bandas, do contrato com algum grande selo musical, e, mais importante, da liberdade feminina em um mundo calcificado pelo patriarcado.

(Femejism em uma música: Little Baby Beauty Queen)

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Autor:

é músico e escreve sobre arte