Resenhas

Egyptian Hip Hop – Good Don’t Sleep

Quatro anos de maturação fizeram um grande diferença no som do quarteto inglês e, se antes havia muita ansiedade e imediatismo, agora as músicas progridem de forma pensada e harmoniosa

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Ano: 2012
Selo: R&S
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 51:55
Nota: 3.5
Produção: Richard Formby

Quebras de expectativa nem sempre são ruins. Digo isso pois Good Don’t Sleep, primeiro álbum do Egyptian Hip Hop, é um banho de água fria para quem esperava aquele som que a banda fazia há quatro anos, quando surgiu na mídia inglesa, sendo logo eleita como uma das queridinhas de NME, Q e outras publicações do país. Em 2008, o grupo tinha um som mais direto e urgente que, mesmo seguindo caminhos não muito usuais, se encontrava na mesma trilha de Foals, Klaxons ou Late of Pier, que na época comandavam as pistas inglesas.

Esse tempo que separa os primeiros singles (Rad Pitt e Moon Crooner) foi essencial para o grupo amadurecer e não chegar ao seu primeiro disco como uma banda iniciante. Esse crescimento pode ser notado ao longo das faixas do álbum, que não recorrem mais ao imediatismo dançante de outrora e sabe crescer harmoniosamente, dando espaço para o ouvinte tomar fôlego antes de mergulhar novamente nos momentos mais densos deste trabalho.

Os 51 minutos desse registro estão distribuídos em dez faixas que ainda guardam os caminhos não muito usuais do início da banda. Aqui, você não encontra nada de muito experimental ou esquisito, mas escolhas, no mínimo, interessantes de arranjos e composições, cada uma sabendo dosar muito bem os elementos, sem dar um maior destaque a um ou outro (o que acontecia muito com o sintetizador na primeira fase do grupo).

Tabago, faixa de abertura, tem a função de criar um elo entro os dois períodos da banda. Seu clima ameno ainda mantém resquícios do “antigo” EHH, mas já mostra uma série de diferenças, assim como seu lado um pouco mais progressivo. A música é aberta por um loop (que ecoará durante toda a faixa) e o restante da instrumentação cria partes bem distintas dentro dela, ganhando volume ou desaparecendo completamente, mas sobretudo explorando áreas diferentes dentro de um mesmo tema. Essas construções melódicas serão vistas mais vezes durante o disco, mas sempre explorando conceitos e ideias diferentes.

Os singles foram muito bem escolhidos e mostram o que de melhor o disco pode oferecer. Yoro Diallo, tem mais uma vez um loop, agora criado pela guitarra, e assim como em Tabago, as partes são bem definidas e brincam ao redor do vocal do Alex Hewett. SYH tem ao mesmo tempo um tom tropical, conduzido pela percussão, e um tom sombrio, causado pelos sintetizadores e texturas, criando uma dicotomia interessante e a tornando uma das melhores faixas do álbum.

Se o disco seguisse esse mesmo caminho dos singles em sua plenitude, ele seria facilmente um dos melhores álbuns do ano, porém algumas faixas demoram em progredir. Caso de One Eyed King, que perde tanto tempo criando o clima soturno, com suas texturas e a instrumentação densa, que quando a música realmente começa a ganhar força o ouvinte já se desinteressou ou simplesmente se cansou dela. Mesmo que a versatilidade vocal de Alex chame a atenção em muitas desses faixas, somente ela não consegue salvar essas músicas.

Tirando esse breves momentos, em que a urgência de outrora foi substituída pelo extremo oposto, o disco caminha muito bem e ganha ainda mais força quando chegam os singles. Este álbum nos faz ver que o tempo longe da mídia fez com que a banda amadurecesse e que o, talvez, hype de 2008 desaparecesse, deixando que os músicos com mais espaço para criar sem a pressão de ter de produzir grandes hits dançantes.

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BOM PARA QUEM OUVE: Wild Beasts, Liars, Foals

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts