Resenhas

Erlend Øye – Legao

Integrante de Kings Of Convenience arrisca no Reggae/Dub e acerta em cheio

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Ano: 2014
Selo: Bubbles
# Faixas: 10
Estilos: Soft Rock, Beach Pop, Dub
Duração: 37:58
Nota: 4.0
Produção: Erlend Øye
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/legao/id897059201?uo=4

Erlend Øye nos enganou. Ao contrário do que diz em sua certidão de nascimento, o músico não é norueguês. Seus projetos Whitest Boy Alive, com experimentos de diversas sonoridades dançantes e cheias de groove, e Kings Of Convenience, um duo recheado de influências mais tropicais como a Bossa Nova, nos mostram que ele é um artista global e sua cultura não o restringiu. Erlend apresentou em todos os trabalhos um apego claro a sonoridades internacionais ao seu país, não produzindo nada que pudesse ser chamado de um clichê ou um esteriótipo.

Agora, o músico nos propõe uma nova viagem, mais inusitada do que o que seus registros antigos nos mostraram. Trata-se de Legao, um descoberta pelos rítmos de praias menos cariocas e mais caribenhas, na qual o Dub e o Reggae parecem guiar o “garoto pálido” por novos territórios que, ironicamente, parecem muito bem explorados por Erlend. Para ajudar nesta viagem, o músico contou com ajuda de Hjálmar, uma banda de Reggae na Islândia, um lugar ainda mais inesperado para produzir bandas deste gênero. É realmente uma surpresa pegar um disco destes, dar play e se deparar com percussões e guitarras típicas destes estilos musicais com uma pitada de Pop muito sútil e dosada na faixa de abertura Fence Me In.

Seja no Rio de Janeiro ou no Caribe, a questão é que Erlend é mestre do relaxamento e, assim, o silêncio é uma parte obrigatória de uma obra que envolve seu nome. Notamos em registros passados, e principalmente em Legao, que nunca estamos ouvindo uma música totalmente preenchida. Aqui, o vazio é um instrumento que auxilia na criação do limbo característico do compositor. Whistler sacode a cabeça do ouvinte com um orgão no melhor estilo Bob Marley e uma bateria extremamente suave e presente e, ao mesmo tempo, com um espaçamento sonoro entre os instrumentos.

As letras de Erlend continuam poéticas, fortes e grudentas. Se Rainman nos mostra que amar alguém é como esperar a chuva, Garota nos mostra que a vida é longa demais. Já Lies Become Part Of Who You Are, como o nome sugere, nos faz refletir sobre o quão natural é mentir e, se você sente falta de um Erlend mais emotivo, você pode chorar dançando ouvindo Say Goodbye.

Mais uma vez, um trabalho impecável do suposto norueguês que é parte brasileiro, parte caribenho, parte tudo. No final, temos um diário de reflexões feitas à beira do mar de uma maneira, como dito antes, não clichê e esteriotipada. Que venham outras viagem de Erlend.

O silêncio de melhor qualidade que há no mercado hoje em dia.

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ARTISTA: Erlend Øye
MARCADORES: Beach Pop, Dub, Ouça, Soft Rock

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.