Resenhas

Gorillaz – The Singles Collection (2001-2011)

Se você curtia só algumas músicas da banda, mas não tantas para comprar um disco inteiro, vai curtir esta coletânea que reúne de uma vez só todos os sucessos da banda de macacos comandada por Damon Albarn e Jamie Hewlett

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Ano: 2011
Selo: Parlophone
# Faixas: 15
Estilos: Indie Pop, Pop, Eletrônica, Soul
Duração: 54:20
Nota: 4.0
Produção: Damon Albarn
Livraria Cultura: 29002231

Como levar a sério uma banda que, essencialmente, não existe? Quando ouvimos atentamente a coletânea The Singles Collection (2001-2011) da Gorillaz, dois argumentos vem à mente. Primeiro, é que mesmo sendo “virtual”, ela já dura uma década – o que é digno de certo respeito. Ao mesmo tempo, cada batida parece ter uma risadinha pop nas entrelinhas para nos relembrar que a palavra de ordem nestas músicas é a diversão, então não aperte o play com seriedade.

O projeto foi idealizado pelo músico Damon Albarn (conhecido por seu trabalho à frente do Blur) e o cartunista e designer Jamie Hewlett. Juntos, eles criaram os quatro macacos que representam o grupo (tratados como se fossem músicos integrantes da banda) e estrelas dos vídeos durante as apresentações ao vivo e, obviamente, dos videoclipes – o melhor formato para a Gorillaz ganhar vida, já que se trata de um produto audiovisual.

Se em seu primeiro lançamento o que chamava a atenção era essa virtualidade toda (e é nessa hora que 2001 parece ter acontecido há muito, muito tempo), o que manteve o projeto vivo até hoje foi, sem dúvidas, a capacidade que a dupla teve de lançar tantos hits, que ficam ainda melhores reunidos assim, em uma coletânea, um apanhado que consegue agradar até mesmo quem nunca se empolgou com os primatas animados.

Tá certo, 19-2000 e Feel Good Inc parecem ter sido feitas para serem usadas como toque de celular, mas será que alguém usaria uma música que não gostasse pra isso? Eles sabem fazer um som que mostra o Pop em sua melhor forma, acessível e agradável sem perder a qualidade. Stylo, Clint Eastwood e Rock the House conseguem chamar a atenção e satisfazer qualquer fã de boa música que tenha a sorte de caçar uma delas no rádio, sem deixar de entreter as massas que estão interessadas apenas em curtir as batidas eletrônicas, sem se dar conta da pluralidade daquele som.

Fragmentos de Soul, Rap, R&B e várias vertentes Rock, Indie e Eletrônica (do New Wave ao Dubstep) dão cor, gosto, cheiro e textura à obra do Gorillaz, e não é à toa que o quarteto continua se destacando na cena musical. Ah, verdade, a banda não existe. Mas isso é irrelevante, já que a qualidade dessas treze faixas (e os dois remixes de bônus) é muito mais real do que da maioria dos grupos que se propõe a trabalhar metade dessas referências.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.