Resenhas

HEALTH – DEATH MAGIC

Terceiro disco do quarteto conserva características marcantes de sua obra

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Ano: 2015
Selo: Loma Vista
# Faixas: 12
Estilos: Noise Pop, Avant-Garde, Experimental
Duração: 39:24
Nota: 3.5
Produção: Andrew Dawson

É curioso que uma banda que se chama HEALTH tenha o poder de te deixar completamente destruído. Com uma discografia relativamente curta, o grupo californiano sempre se sentiu confortável para explorar a música Eletrônica de uma forma bastante violenta e agressiva, sempre se usando de sintetizadores altos e percussões marcantes e fortes. Entretanto, sempre houve certo mistério diante daqueles quatro garotos que insistiam em mostrar o lado mais agressivo da música Eletrônica, ainda que o fundisse bastante com elementos mais Pop. Dessa forma, sempre foi difícil prever atitudes e escolhas da banda, já que uma hora saía um remix, em uma telha de Max Payne e às vezes um disco de estúdio. Certamente, estamos falando de um dos conjuntos mais versáteis do estilo, bem como um nome formado por excelentes produtores e músicos, que sabem ser excelentes curadores de sonoridades, para criar uma identidade concisa e concreta.

Assim, DEATH MAGIC não nos desaponta. Os primeiros segundos da faixa VICTIM nos mostram isso, sonorizando tambores que parecem ser passos de gigantes, nos mostrando que um grande nome da música Eletrônica Experimental vem chegando. O trabalho é envolto da conhecida agressividade, fato que pode agradar bastante fãs de segundo disco Get Color. Parte desse sentimento vem do excelente trabalho dos engenheiros de som e da própria banda, principalmente das percussões escolhidas que ora nos desorienta, criando uma textura bastante caótica, ora nos põe dentro de compassos 4/4 bastante simples, mas que nos fazem sentir como se estivéssemos levando sucessivos socos na cara. É de fato um disco de não nos dá descanso em nenhum momento.

Pelo fato do quarteto californiano sempre estar explorando novas maneiras de criar seus ambientes hostis e violentos, sua zona de conforto acaba sendo a própria experimentação, fato que nos instiga a continuar esta experiência adversa. COURTSHIP nos arrebata com solos de bateria distorcidos e seus pads sombrios. L.A LOOKS parece ser uma interpretação de músicas de Passion Pit, porém se fossem tocadas em um porão escuro de alguma festa de Witchouse. HURT YOURSELF pode começar calmamente, com vozes de um coro, mas logo elas se revelam bastante perversas e medonhas, com um ótimo trabalho de reverbs no qual tudo é plenamente audível.

É um disco que às vezes pode passar certa carga de mesmisse, afinal as doze faixas possuem uma mesma estética. Contudo, a sensorialidade e ambientação são feitas de uma maneira tão magistral que é quase como se HEALTH se afirmasse como um conjunto de sonoplastas. Tangenciando gêneros mais populares, DEATH MAGIC é um bom disco para se apresentar a ouvintes desconhecidos da banda, bem como um agrado a fãs de longa data. Agradando a ambas as partes, o conjunto nos deixa curioso por novos lançamentos, fazendo com que permaneça relevante mesmo com tanto tempo entre este e o último disco. Um verdadeiro safari sadomasoquista para os ouvintes.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.