Resenhas

HOMESHAKE – Midnight Snack

Novo trabalho de Peter Sagar propõe uma perspectiva curiosa da Psicodelia

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Ano: 2015
Selo: Balaclava Records, Sinderlyn
# Faixas: 12
Estilos: Vaporwave, Psicodelia, Synthwave
Duração: 33:14
Nota: 3.5
Produção: Jackson Macintosh
Itunes: https://geo.itunes.apple.com/us/album/midnight-snack/id1005323303?mt=1&app=music

A Psicodelia já não é exclusiva dos hippies. Sendo um dos elementos mais incorporados e fundidos em gêneros musicais, suas diversas aplicações tornam-se tão divertidas quanto repetitivas, afinal, muitas bandas confundem esta estética lisérgica com uma simples aplicação de efeitos, disfarçando alguma preguiça e produzindo trabalhos bastantes superficiais.

Um dos grandes atrativos deste universo está justamente no aspecto sensorial da coisa: ou seja, não basta escutar o Rock Psicodélico, é preciso senti-lo, talvez daí tenha partido a próxima relação com entorpecentes principalmente nos anos 60. De qualquer forma, com exceção dos grandes nomes australianos, vemos algumas propostas interessantes nascerem aos poucos com a música Eletrônica e alguns nichos específicos ao redor do globo e é justamente nestes pequenos cenários que encontramos Peter Sagar, um músico que busca novas maneiras de envolver seu ouvinte ao buscar territórios não apresentados à Psicodelia.

HOMESHAKE é o nome pelo qual Peter resolveu lançar seus divertidos e contagiantes delírios musicais, saindo da asa de Mac DeMarco, com quem contribuía como guitarrista de apoio. Evitando cair nos clichês que a Psicodelia criou ao longo de décadas, o compositor nos mostra em Midnight Snack uma nova forma de enxergar nosso cotidiano. Com músicas com temas bastantes simples, ele tenta aproximar a mesmice cotidiana das abstrações e a fantasia que a estética psicodélica (ou efeitos psicodélicos) causam.

Não que para isso ele crie algo totalmente inovador ou original, afinal, quando as músicas possuem faixas mais marcantes de guitarra, temos a impressão de que elas poderiam muito bem estar em discos de Mac DeMarco que mal notaríamos a diferença. Entretanto, fora esses casos, vemos que Peter tenta buscar novas formas de relacionamento com elementos que ele se sente confortável: principalmente os novos jeitos de usar aqueles sintetizadores quebrados dos anos 70 e drum machines que dão um aspecto tedioso e molenga bem interessante.

A faixa Faded, por exemplo, cria camadas de sintetizador quase que em slow-motion, lembrando até mesmo a obra prima do Vaporwav – Floral Shope, de Macintosh Plus. Good Night e Under The Sheets funcionam quase como um treino gravado de efeitos vocais e timbres bizarros de teclado com o objetivo de criar texturas instáveis de lisergia. Heat experimenta usar estruturas mais simples remetendo a aspectos mais tediosos do cotidiano e que funcionam muito bem ao despertar sensações entorpecentes no ouvinte.

No geral, Midnight Snack é um disco chamativo e bastante instigante, se mantendo acima da mesmice psicodélica vista no panorama geral. Homeshake acerta na dosagem e na perspectiva lisérgica que opta por nos mostrar. Uma infinidade de mundos dentro de um cotidiano limitado.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.