Resenhas

Hot Chip – In Our Heads

Banda faz sua parte para preencher a lacuna deixada pelo LCD Soundsystem com este que é seu melhor álbum até hoje

3,348 total views, 1 views today

Ano: 2012
Selo: Domino
# Faixas: 11
Estilos: Eletrônica, Indie Rock, Synthpop
Duração: 56:48
Nota: 4.5
Produção: Hot Chip

Dizer que o Hot Chip é uma mistura de Indie Rock com Eletrônica é apenas uma simplificação do que o grupo realmente faz, um meio termo entre ambos talvez seja a melhor classificação de uma banda que sabe usar a espinha dorsal de ambos estilos para dar liga a todas as suas influências sonoras. Após o bom One Life Stand (2010), o grupo se viu em 2012 diante de um mundo sem a maior referência do estilo, já que o LCD Soundsystem havia acabado. Estaria o Hot Chip pronto pra ocupar o posto da finada banda com In Our Heads?

Motion Sickness começa sendo construída aos poucos com uma leve percussão e sintetizador, para depois a entrada da bateria e um sintetizador imitando intrumentos de sopro darem ideia de como ela será conduzida. A música vai criando um clima para, quando Alexis Taylor entrar com sua voz, tudo fazer sentido. Instrumentos são adicionados no percorrer da faixa, mostrando uma música eletrônica feita a partir de uma estrutura Rock. How Do You Do mostra a nova, e bela, baterista do Hot Chip cumprindo bem o seu papel, em uma música que coloca a primeira interação entre os vocais Alexis e Joe Goddard. Vozes diferente,s mas complementares, que fazem o som da banda parecer ainda mais plural.

Em Don’t Deny Your Heart, já percebemos a principal influência que permeará a canção: o Synthpop dos anos 80. Aliados aos sintetizadores, que dão um clima feliz pra música, temos uma guitarra funkeada e um backing vocal à la Donkey Kong, dizendo umas onamatopeias que só ao serem escutadas podem ser entendidas. Após três canções que muito bem poderiam estar tocando em qualquer clube no mundo, Look At Where We Are apresenta uma balada linda construída na guitarra, com quebras de ritmo para dar mais ênfase à voz de Alexis, que soa o mais sincero possível ao dizer “look at where are, remember where we started out? Never go without each others love again”. Após cinco álbuns, a banda talvez esteja perto do seu mais elevado momento.

These Chains inicia uma trinca matadora que extrapola todo o álbum e que mostra o domínio da banda no campo eletrônico. Escute-a e tente não se imaginar em uma balada curtindo-a com todos os clichês relacionados: bebida, mulheres e amigos. Independente disso, a música é de uma beleza ímpar, com todos os intrumentos e vozes sendo colocados milimetricamente para fazerem a sua cabeça balançar. Night and Day, um dos singles de lançamento do álbum, tem um baixo sóbrio e marcante aliado a uma bateria simples mais precisa, tudo isso pra criar uma música dançante e que vai tendo elementos eletrônicos sendo adicionados aos poucos. O refrão é pegajoso e provavelmente ficará na sua cabeça durante um bom tempo, caso já não esteja.

Flutes, primeira música mostrada do trabalho, é a melhor do álbum e uma das melhores do grupo. Minimalista e crescente, tem no início backing vocals que só tem os sons reconhecidos, mas não entendidos, para depois ter a mesma estrutra melódica sendo usada no refrão, dessa vez com Alexis no comando. A música é toda feita pra ir se expandindo aos poucos, como uma explosão sendo vista em câmera lenta. A sensação ao escutá-la é que essa é a All My Friends (LCD Soundsystem) do grupo. Já me cansei de colocá-la no repeat, e o único lamento que eu tenho dessa canção é o clipe que não faz nem um pouco juz a ela.

Now There Is Nothing acalma um pouco os ânimos e vem a ser o pior momento no álbum, apesar do refrão ser bom, assim como seus últimos 40 segundos com seu sintetizador. Ends of The Earth coloca de novo o CD nos trilhos com um teclado que poderia muito bem estar na trilha-sonora de Tron Legacy. A batida logo em seguida é marcante e deixa o espaço livre para que o clima meio espacial da música seja desenvolvido. Seu instrumental excelente é bastante valorizado com uma introdução sem vocais de mais de um minuto e meio. Let Me Be Him é calma e serena, com Joe Goddard dominando os vocais dessa vez. O refrão, bem pop, é muito bem o clímax do álbum e dá uma sensação de alívio e vitória, o que talvez represente bem o momento vivido pelo grupo. É a canção mais longa do CD, mas não chega a ser cansativa em nenhum momento.

Antes de seu fim, Always Been Your Love coloca Alexis contracenando com uma mulher e dizendo que ele sempre foi o amor dela. A batida minimalista cresce, e os backings vocals femininos fazem a diferença na música que tem um solo de guitarra para lembrar que a banda, apesar de tudo, faz o seu som com instrumentos de verdade. Um clima apaixonado acaba dando fim a um CD que mostra o Hot Chip dominando os seus instrumentos e inspirações, o que torna In Our Heads o melhor trabalho do grupo até hoje. Talvez alguém possa salegar que não existe um single tão marcante quanto Ready For The Floor ou Over and Over, mas a verdade é que o álbum contém em sua maioria canções feitas pra serem talvez mais apreciadas do que cantadas. Se uma lacuna foi deixada com o fim do LCD, o Hot Chip pode muito bem preenchê-la, dando continuidade à mistura de Indie Rock com Eletrônico – dois estilos que só tendem a se aproximar cada vez mais um do outro.

Flutes

3,349 total views, 2 views today

BOM PARA QUEM OUVE: Clock Opera, M83, Metronomy
ARTISTA: Hot Chip

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.