Jack White – Lazaretto

Mesmo dentro de sua zona de conforto, músico sabe fazer obra divertida sem faixas ruins

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Ano: 2014
Selo: Third Man Records
# Faixas: 11
Estilos: Rock, Blues Rock, Indie Rock
Duração: 39'
Nota: 3.5
Produção: Jack White

Tenho pra mim que o segredo pra curtir Lazaretto é vir ouvi-lo com poucas expectativas. Não por este segundo álbum de Jack White ser decepcionante, mas porque dá a impressão de que o músico fez uma obra sem lá muitas intenções. Afinal, sabemos que, se ele quisesse, saberia fazer algo mais grandioso.

Mas não, Lazaretto investe em umas faixas divertidinhas, com uma cara até de “ingênuas” em alguns momentos. É como uma continuação às avessas de seu Blunderbuss. Se um segundo álbum às vezes carrega uma ousadia mais madura, isso aconteceu em seu primeiro (vale dizer que, mesmo sendo sua estreia solo, ele já estava longe de ser um iniciante). Desta vez, temos músicas que trazem um lado mais jovial, mais “bobinho” do Rock, mesmo quando a guitarra é mais pesada.

Veja bem, revirei o disco do avesso e não encontrei nenhuma música ruim, só que a gente acaba levando ele muito menos a sério que o anterior. Three Women (que serve de abertura para a obra) e That Black Bat Licorice, por exemplo, são faixas divertidas que não podem em hipótese alguma serem levadas muito a sério. A melodia pueril no piano de Alone in My Home (que, inclusive, se parece muito com Líquido Preto, da Apanhador Só) reforça a tese.

A música título veio sim nos trinques, principalmente quando acompanhada de seu belo clipe, mas nenhuma outra chega a impressionar, como a forte candidata a hit Just One Drink – uma canção boa, mas… meio que só isso. E talvez essa seja a sensação que mais fica ao se ouvir o álbum. Se essas músicas tivessem sido feitas identicamente por um desconhecido, é provável que olharíamos para elas com um olhar mais curioso. Por se tratar de White, fica uma cara de trabalho feito com uma certa segurança.

Porém, é como se a zona de conforto do cara fosse muito mais ampla do que a de qualquer outro mortal criativo. Daí, mesmo quando se arrisca pouco ou quase nada, o resultado é pelo menos um tanto fora do padrão e de qualidade maior que a grande maioria da produção alheia. Por isso, coloque seus melhores fones e venha curtir Lazaretto com uma atitude de aproveitar um disco bastante divertido.

Mesmo sem ser um grande marco na história do músico, ainda é uma experiência válida (e bastante agradável).

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BOM PARA QUEM OUVE: Alabama Shakes
ARTISTA: Jack White
MARCADORES: Blues Rock, Indie Rock, Rock

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.