Resenhas

The Dead Weather – Dodge And Burn

Jack White, Alison Mosshart, Dean Fertita e Jack Lawrence criam seu melhor disco

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Ano: 2015
Selo: Third Man Records
# Faixas: 12
Estilos: Rock Alternativo, Blues Rock
Duração: 42'
Nota: 4.0
Produção: Jack White

Se o superlativo “super grupo” vem sendo usado com certa negligência nos últimos tempos para descrever bandas formadas por integrantes sortidos pertencentes a outros grupos mais conhecidos, no caso de The Dead Weather, o adjetivo é mais do que merecido e o resultado de sua mais recente colaboração, o álbum Dodge and Burn, é uma ótima prova disso. Formado por ninguém menos que Jack White, Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (Queens of The Stone Age) e Jack Lawrence (The Raconteurs), o quarteto desenvolve em seu terceiro álbum colaborativo um trabalho que não exatamente segue o que seus membros fazem em seus projetos principais ou mesmo as obras anteriores da banda. Esse é um terreno novo a ser explorado por esse Megazord roqueiro e, mais importante que isso, um que ultrapassa todas as expectativas colocadas em cima da reunião de nomes tão grandes.

O resultado é algo difícil de classificar dentro desse ou daquele subgênero específico. É mais fácil simplesmente dizer que trata-se de um Rock de hoje em dia, um dos poucos que podem ganhar o título de Contemporâneo. Há no som de Dodge and Burn um clima sujo, espesso, ruidoso. Algo furioso e de ritmo acelerado, como se a atmosfera sombria de Clube da Luta, seja o livro de Chuck Palahniuk ou filme de David Fincher, fosse capturada em produto sonoro. Ao mesmo tempo, há um tom quase surrealista em suas letras (“I’ve seen roses grow noses/And noses go and get broken”, de Three Dollar Hat), que tocam também em temas mais existencialistas, desilusões amorosas e histórias narradas em terceira pessoa.

O disco nasce como uma colcha de retalhos de diversos momentos bem interessantes e diferentes entre si, mas com grande coesão quando observado através da costura desses doze pedaços. Cada música, por sua vez, é um novo patch work com colagens diversas de estilos e influências, que vão de um Rock mais pesado ao Hip Hop, passando ainda pelo Blues e Post-Punk. Singles como I Fell Love (Every Million Miles) ou Cop and Go são provas dessa miscelânea estilística que beira a esquizofrenia de uma persona formada na verdade por outras quatro personalidade. Não seria difícil dizer que Dodge and Burn é a representação máxima do encontro destes músicos, assim como o obra mais certeira já produzida por eles.

Se por si só o disco é como um todo uma surpresa, a música que o fecha é uma ainda maior. Diferente de tudo que foi apresentado até então, Impossible Winner tem uma estrutura mais clássica e Pop, não sendo nada difícil imaginá-la na voz de Adele ou Sia. Ela mostra um interessante misto entre o piano de Fertita, um conjunto de cordas e bateria mais contida de White. Uma faixa que, mesmo sendo a exceção, exemplifica não só todo o teor criativo do álbum, como o cuidado na produção de melodias, letras e arranjos. Esse é um encerramento e tanto (além de um respiro) para um disco extremo, ao mesmo tempo que polido, cheio de seus excessos, ao mesmo tempo que bem coordenado. Dodge and Burn é uma obra de contrastes e, quem sabe, o suprassumo dos membros deste Super Grupo.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts