Resenhas

Jeremih – Late Nights: Europe

Mixtape mostra composições bastante apegadas às referências do rapper

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Ano: 2016
Selo: Independente
# Faixas: 14
Estilos: Hip Hop, Trap
Duração: 51:15
Nota: 3.0
Produção: Soundz, The Insomniakz, Tunde e Reno

Discorrendo sobre a importância da personalidade e autenticidade do Rap na atualidade, Snoop Dogg comentou que “uma vez que você é você, quem pode um melhor ‘você’ do que você”. Ainda que um pouco confusa, essa preocupação é o tema de um debate extremamente pertinente: até que ponto as referências de um artista passam de ser uma motivação e se tornam uma limitação criativa. Com humor, Snoop Dogg imita um jeito comum de fazer Rap, quase como uma caricatura do hypado Future e, certamente, é cômico como a cada segundo surgem mais e mais rappers preocupados em se inserir em padrões já existentes ao invés de procurar novas formas de expressar seus respectivos universos. Jeremih é um caso desses, mostrando uma discografia que carecia de autenticidade e, ironicamente, o fazia extremamente popular sendo considerado um dos melhores discos de Rap do ano por parte da crítica especializada.

Late Nights: Europe é uma sequência de seu aclamado disco Late Nights: The Album, resultando em uma mixtape que reúne faixas produzidas durante sua turnê europeia e, dessa forma, atribuindo cada composição a um lugar diferente. Embalado em beats clichês do Trap, junto a repetitivos samples que mostram pouca inventividade, não há muito que exiba alguma vontade do rapper em sair de sua zona de conforto criativa, produzindo obras sempre voltadas para suas referências de uma forma bem aprisionada. O que deveria impulsionar Jeremih a buscar novas formas de se expressar faz esta nova mixtape permanecer em um limbo criativo.

Há algumas construções interessantes, principalmente na criação de climas um pouco mais soturnos e compostos por baterias 808, uma clara influência da célebre obra de Kanye West, 808s & Heartbreak. Timbres sedutores com rimas sexualmente explícitas também mostram uma faceta típica de The Weeknd, bem devagar, suíngada e erótica. Até mesmo Future e seu conhecido flow ganha uma “homenagem” em diversas partes do disco. Mas é como foi dito, nada que fuja de questionamentos como “de que disco de Kanye West é essa música?” ou “não conheço essa faixa de The Weeknd”.

Jeremih permanece no conforto criativo de seus ídolos, propondo um disco que não chega a ser ruim, mas está longe de ser um marco em sua carreira. O futuro do rapper parece ser cada vez mais previsível, mas ainda é cedo para desistir de bons discos, afinal há boas faixas nesta mixtape, como Hamburg e Copenhagen. Alguns passos além de sua caixa podem fazer tornar este fruto mais maduro e, quem sabe, mais saboroso.

(Late Nights: Europe em uma faixa: Copenhagen)

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BOM PARA QUEM OUVE: Future, The Weeknd, Kanye West
ARTISTA: Jeremih
MARCADORES: Hip Hop, Trap

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.