Resenhas

Jon Hopkins – Immunity

Pianista inglês produz obra menos impessoal e permeia entre o Techno e o Experimental no seu quarto álbum de estúdio

 3,457 total views

Ano: 2013
Selo: Domino
# Faixas: 8
Estilos: Experimental, Techno, Electroclash
Duração: 60"
Nota: 4.0
Produção: Jon Hopkins
SoundCloud: https://soundcloud.com/merovingingian/sets/jon-hopkins-immunity/

130 segundos é o tempo que demora para que Jon Hopkins mostre seu âmago em Immunity. O quarto álbum de estúdio, e um dos mais demorados para se produzir, veio com oito faixas com um abismo entre si, e cada uma delas com mais alguns abismos no decorrer de seus longos minutos. Com músicas que quase beiram os 12″, Hopkins não economizou para criação de suas atmosferas, foram oito cenários diferentes, com percepções e sensações diferentes. Nove meses foram necessários para que se terminasse uma obra em que o detalhe é fundamental para um produtor conhecido por seu perfeccionismo.

Jon é pianista, nome já conhecido na cena e colaborador com longa data de estrada. Por trás de nomes como Imogen Heap, Brian Eno e Coldplay, o músico protagoniza uma proposta que agora consegue ser ainda mais completa que Insane. O que antes era distante e quase que indiferente em 2009, agora se aproxima com batidas que se revezam entre o som e o coração, sintetizadores que simulam o desconforto, agonia, nirvana e a desconstrução. Em Immunity, a viagem de quase 1 hora passeia pelas mais variadas pistas. A de dança em sua primeira parte, com We Disappear, Open Eye Signal e a enorme Sun Harmonics. As três faixas estão em ordem decrescente na escala de formação de um hit de pista. A razão disso é, de fato, uma suavização e introspecção no decorrer de todo álbum.

We Disappear vende bem o que Immunity vai mostrar. É uma mistura perfeita entre as estruturas ElectroDance e Experimental, o limiar – que custou um pouco mais de um minuto – para se aproximar de um conceito, uma faixa que foi pensada também para cumprir um roteiro, com nuances e variações. As faixas aqui são recheadas de camadas de sintetizadores e sussurros de vocais, que ora chegam em seu clímax e ora desmoronam, sem aviso. Jon foi cuidadoso ao ponto de não te avisar que começou Open Signal e já deixa a teoria de lado para jogar uma techneira típica para embalar o corpo. Collider serve como um meio-termo perfeito entre o convencional e o que podemos chamar de “lado B”.

Breath This Air vem como um convite ao âmago de Hopkins e um incentivo que não perca o fôlego enquanto pode. A música despenca de um monte de informação que nem se percebia para um silêncio que rasga o peito ao som de suaves notas de piano. A melancolia ainda inunda com Abandon Window, cinco minutos de uma reflexão interior que só se ouve a respiração, cinco minutos que mais parecem um suspiro.

Brincando com os instintos, Jon dá um salto em sua coerência com Immunity, sai do impessoal e vende conteúdo a quem quiser. Na maioria de seu trabalho, o experimentalismo imperou. Em faixas como Form by Firelight e Sun Harmonics mais parecia um roteiro a ser construído com os minutos passando, visitando e dando vida a cômodos que antes estavam vazios. O longo tempo em determinadas faixas não justifica a mensagem. Open Eye Signal insiste em uma estrutura e termina abruptamente como uma inspiração que se acaba. Sun Harmonics não varia suas camadas nem é tão flexível ao ponto de tornar imperceptível seus 12 minutos. No entando, a faixa que dá nome ao trabalho tem dez minutos que passam em um piscar de olhos, daqueles longos que as imagens vão formando no mesmo momento que King Creosote canta seu dialeto quase Sigur Róseano. O piano consegue trazer uma atmosfera de otimismo e leveza que a sombria estrutura tenta enganar.

Immunity está protegido de catálogos. Não se generaliza o que passou pelo Techno, Clash, Indie, Experimental. Assim como o nome bem diz, Jon tinha álibi para percorrer esses territórios. Não foi uma viagem no cérebro nem no coração, não é uma daquelas obras que cavucam o interior e evocam os monstros. Essa não é a intenção de Hopkins. Sua opção em permanecer na borda também tem pontos positivos. Torna-se palatável, degustado, direto. O Techno vem para dar uma cara, o piano outra trazendo a Ambient Music de Roxy. Immunity está imune a um posicionamento. Quer ser aquele suspiro, ou o que te faz mover, ou o piscar de olhos, ou o sussurro que te faz recordar. Quer causar sensações sem pedir permissão. Jon Hopkins quer apenas te convidar para uma viagem. Aceite.

 3,458 total views

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King