Resenhas

Julia Holter – Loud City Song

Terceiro disco da musicista muda os rumos de produção e conceito, para se tornar um dos mais belos discos experimentais de 2013

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Ano: 2013
Selo: Domino Records
# Faixas: 9
Estilos: Experimental, Avant-Garde, Jazz
Duração: 44:40
Nota: 4.0
SoundCloud: /tracks/104394251
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Floud-city-song%2Fid6

Ao contrário de seus outros dois álbuns, Tragedy(2011) e Ekstasis (2012), desta vez a californiana Julia Holter não está gravando suas músicas sozinha em seu quarto. Pela primeira vez a moça vai aos estúdios da Domino Records e grava com uma banda, um conjunto de cordas e metais, que fazem de Loud City Songs instrumentalmente riquíssimo, mas ao mesmo tempo sonoramente mais acessível que seus lançamentos anteriores. Pode parecer estranho, mas sua “grandiosidade” de certa forma acaba deixando-o mais amigável.

Suas temáticas também mudaram para este disco e desta vez a moça embarca em uma espécie de narrativa conduzida pela individualista sociedade das celebridades de Los Angeles, referenciando em alguns momentos ao livro Gigi (1944), escrito pela romancista francesa Collete, e também ao filme para a mesma obra, rodado em 1958 (como você pode perceber na faixa Maxim’s, fazendo alusão ao famoso restaurante francês). O poeta nova-iorquino Frank O’Hara também entra no hall de referências de Holter para seu disco que acaba por criar um amálgama conceitual entre suas faixas.

Fofoca, espetáculos, holofotes e a obsessão por se tornar o centro das atenções, bem como por saber de tudo sobre celebridades são os principais motes de Julia aqui e faixa após faixa ela vai emoldurando esses temas em ótimas faixas que brincam mais sofisticados arranjos (como em World) até os mais caóticos (como a experimentação à la Free Jazz em Maxim’s II).

Além destes extremos o disco é preenchido por belas baladas, como a abertura e encerramento com World e City Appearing, sendo a primeira delas quase minimalista e preenchida por belos arranjos vocais e a segunda guiada pelo gentil dedilhar do piano e uma vibe quase Post-Rock em sua instrumentação. Brincando mais uma vez com o Jazz, In The Green Wild se apoia em contrabaixos para ditar o ritmo da canção, enquanto Holter experimenta não só com sua voz, mas também com o acompanhamento, incluindo alguns violinos e metais à faixa.

Seu talento como compositora clássica se mostra na bela Hello Stranger, faixa com uma melodia, pesada e calma, que se constrói lentamente enquanto Julia solta sua delicada e ao mesmo tempo forte voz. Sem dúvida alguma uma das faixas mais bonitas de todo o álbum. Indo para uma direção quase oposta, mas sem em nenhum momento perder a coesão, This Is A True Heart é uma baladona Pop old school com belas melodias vocais e saxofones estonteantes.

Mas esse não seria um disco de Julia Holter se a moça não ousasse em experimentações. Horns Surrounding Me é um desses momentos e começa com sons de pessoas correndo quase sem fôlego e os vocais surrados de Julia, quando entram, como o nome da faixa pode sugerir, os metais que vão sustentar grande parte da faixa. Ela não chega ao tom experimental de Maxim’s II, mas é também uma das faixas mais interessantes do disco.

No fim das contas, por mais experimental e Avant-Garde que Loud City Songs possa ser, ele é feito de maneira muito amigável ao ouvinte e sem dúvida alguma é o álbum mais acessível da curta, porém produtiva, carreira da musicista. E o que o torna tão interessante é conseguir ser profundo em sua temática e abordagem e ao mesmo tempo encantador pela sua musicalidade hibrida.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts