Resenhas

Julien Baker – Little Oblivions

Com guitarra e percussão mais presentes, terceiro disco amplia referências da artista americana, mas mantém densidade pessoal e emocional

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Ano: 2021
Selo: Matador Records
# Faixas: 12
Estilos: Indie, Rock Alternativo
Duração: 42’
Produção: Julien Baker

Uma grande sinceridade emocional toma conta de Little Oblivions, disco composto, produzido e interpretado – em voz e muitos instrumentos – por Julien Baker dentro dos moldes “singer-songwriter” e “do it yourself” que tomam conta do universo Indie e Rock Alternativo que ela se propõe a habitar. Este, que é seu terceiro álbum, se preocupa em apresentar novidades estéticas dentro do que a norte-americana vinha fazendo, mas colocando o conteúdo pessoal de cada música como centro do que ela nos oferece ao longo destas 12 faixas.

Logo chama atenção como Julien dá alguns passos na direção contrária do som Folk com o qual ela ficou conhecida. Com guitarra mais presente e percussão bem mais demarcada, Julien trabalha sua voz de uma maneira também expansiva, fazendo deste seu trabalho de impacto mais direto e imediato. O que não quer dizer que não haja sutilezas ao longo do repertório, mas que a sonoridade aqui apresentada dá conta de apresentar sem muitos rodeios o tamanho da amplitude da emoção contida em cada faixa.

Vale ressaltar a este ponto que Little Oblivions sai após Julien ter testemunhado duas amigas lançarem álbuns em 2020 que se tornaram dois dos mais comentados naquele ano: Phoebe Brigers (sua companheira no trio boygenius) com Punisher e Hayley Williams (Paramore) com Petals for Armos. Seu disco traz pequenas semelhanças com ambos, oscilando entre o lado mais roqueiro da primeira e o flerte com o Pop da segunda. É uma consideração relevante porque as duas obras parecem argumentar em favor das escolhas que Julien repensou para este trabalho – que, assim como os de suas amigas, também faz questão de priorizar os sentimentos das letras e arranjos, ao invés de se mostrar como um desafio criativo para a artista.

Seus versos têm teor confessional, mesmo quando a lírica apresenta cenas narradas vagamente através de muitas figuras de linguagem. O resultado dessa soma é uma dinâmica em que a cantora abre suas memórias e coração apenas até certo ponto, indicando pistas e apresentando breves charadas para os ouvintes completarem por meio de sua interpretação. Em paralelo, a instrumentação crescente e o vocal emocionado da artista nunca deixam a audição duvidar da intensidade do que está sendo cantado.

É uma nova maneira para Julien explorar a mesma densidade emocional que ela já propunha na ambientação menos carregada de seus discos anteriores. O que ela comunica com Little Oblivions, quando visto dentro de sua discografia, é que ela está pronta para experimentar como produtora, arranjadora e compositora, sem nunca ignorar a força motriz de toda sua obra – suas vivências e sua perspectiva, ou seja, aquilo que ela possui de mais pessoal.

(Little Oblivions em uma faixa: “Bloodshot”)

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ARTISTA: Julien Baker

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.