Resenhas

Loomer – Deserter

Segundo disco do grupo gaúcho traz o melhor das referências Shoegaze no cenário brasileiro

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Ano: 2017
Selo: Midsummer Madnes/Sinewave
# Faixas: 10
Estilos: Shoegaze, Indie Rock, Noise Rock
Duração: 34:15
Nota: 3.5
Produção: Stefano Fell

O som da banda gaúcha Loomer nunca foi feito para ser reproduzido em volumes baixos. Com um disco de estreia lançado em 2013 e com relativo destaque, o grupo logo mostrou uma paixão incondicional com o Shoegaze, fato que ficou claro ao observar o seu nome retirado de uma música do lendário grupo irlandês My Bloody Valentine. Guitarras que preenchiam todos os espaços, vozes reverberadas e quase incompreensíveis e batidas sólidas percorriam cada uma das composições e, por mais que não tivessem mostrado nada além do que o gênero propunha, o faziam com maestria e força.

Três anos após o disco de estreia, o grupo põe no mundo uma forma de expressar sua paixão pelos campos do estilo. Uma primeira audição de Deserter poderia nos conduzir a pensar que este é uma continuação de seu antecessor, carimbando com força os estereótipos do gênero e referências como Ride e Lush. Entretanto, ao escutarmos o registro da forma que o grupo nos recomenda (com o volume mais alto possível), começamos a perceber algumas dosagens mais bem feitas, no sentido de que, neste disco, as coisas são estudadas e não deixadas para soar ao acaso como em muitos exemplos. Aquele reverb caótico não é deixado de lado, mas certamente é pensado de forma a ser melhor aproveitada. Assim como na capa do álbum, Loomer escolha as melhores características de cada elemento e, embora elas possam não ser as mais naturais (como a cor vibrante do céu ou as distorções sobrepostas) elas funcionam muito bem neste cenário.

Começando com Then You Go, as guitarras ríspidas se misturam com os vocais etéreos, já nos jogando no mundo desconcertante do Shoegaze. De forma semelhante, Mind Control também faz isso, porém abusando um pouco mais dos reverbs e deixando as frases de guitarra transbordarem sensações lisérgicas. O single Lack tem um toque de Pixies escondido entre as distorções, bem como um aspecto melódico bem elaborado e que alterna entre a sujeira e a suavidade. Plan B desacelera as coisas como se todo o ritmo proposto até então estivesse se desintegrando, ou melhor, derretendo. Por fim, Opinion encerra o disco como se tivesse dosando os picos máximos e mínimos e fazendo uma faixa que compila os melhores momentos do disco.

Loomer prova mais uma vez que sabe o que faz produzindo um disco maduro e, ao mesmo tempo, caprichado nas referências primordiais do estilo escolhido. Certamente podemos esperar boas coisas do futuro da banda e, por hora, temos a certeza de que o cenário brasileiro tem bons representantes do gênero. Um disco dosado em caos.

(Deserter em uma faixa: Opinion)

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BOM PARA QUEM OUVE: Slowdive, Ride, My Bloody Valentine
ARTISTA: Loomer

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.