Resenhas

Manchester Orchestra – Cope

Toda a amargura que a banda carregou nos três outros álbuns surge com maior peso

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Ano: 2014
Selo: Universal Music International
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Rock, Indie Rock
Duração: 38:11
Nota: 3.5
Produção: Dan Hannon e Manchester Orchestra
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fcope-deluxe-version%2Fid817774884%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

“Peso” é a palavra que melhor define o quarto álbum da norte-americana Manchester Orchestra, tanto no sentido habitual do termo dentro do vocabulário do Rock, mas igualmente em uma tensão exausta de quem carrega muito nas costas há muito tempo – e sua discografia confere esse histórico.

Simple Math (2011), seu registro anterior, possuia uma variedade sonora maior para tratar os temas íntimos e quase existenciais que a banda sempre comunicou, o que acabou abrindo mais portas para Andy Hull e seus comparsas – tanto que foi com esse disco que a banda veio ao Brasil no Lollapalooza 2012. Desta vez, o disco se parece mais com Mean Everything to Nothing (2009) se levarmos em conta a estética musical. É sim um trabalho mais pesado nas guitarras e com uma grande “sujeira” entre as camadas. Sim, é mais pesado que o anterior.

Mas não é nisso que eu quero me concentrar. Faixas que viraram grandes sucessos da banda, como Shake It Out e a própria Simple Math, ou mesmo a tentativa Pop I’ve Got Friends e a colossal Mighty, carregavam uma força que reverberava até mesmo nos silêncios entre as músicas, entre os versos sobre decepção, abandono e arrependimento. Agora, quando tudo isso chega neste álbum, o cansaço tomou conta.

E é aí que Cope é uma obra pesada. Quando a faixa-título aparece para encerrar o disco, ela vem cansada não no sentido de que a música é feita desleixadamente. A exaustão chega amarga pela vida que inspira essas composições (“Cope” é um verbo em inglês que significa o ato de lidar com coisas negativas). Trees e o refrão “I want to believe, I gotta believe”, duas faixas antes, serve como clímax do álbum e, de certa forma, de tudo o que o quinteto fez até hoje.

A abertura com Top Notch e ambas The Ocean e Every Stone proporcionam os momentos mais agradáveis pra quem quer apenas curtir um som desse estilo, enquanto All I Really Wanted é uma música que poderia ser cartão de visitas da banda – se não pela qualidade, por conseguir resumir sonoramente muito do que Manchester Orchestra apresenta em seus outros discos.

Ao final de Cope, fica a impressão de um trabalho dark e cheio de mágoa, duas coisas que a banda dificilmente negaria a respeito da obra. Sua duração (menos de 40 minutos) é ideal para o replay e para o disco como um todo não pesar também no ouvinte. Vale a pena experimentar.

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BOM PARA QUEM OUVE: Jair Naves, Placebo, Pixies

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.