O Terno – O Terno

Trio paulistano revela maturidade com músicas menos divertidas, mas bem mais densas

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Ano: 2014
# Faixas: 12
Estilos: Rock Psicodélico, MPB, Indie Rock
Duração: 42:32
Nota: 4.0
Produção: O Terno e Gui Jesus Toledo

Mais densa e menos divertida – essa é a cara que veremos nos trabalhos de O Terno pelos próximos anos, a julgar pela atitude de batizar seu segundo álbum com o próprio nome, uma estratégia eficaz pra reposicionar sua identidade e mostrar de uma vez por toda “qual é a sua”. Notícia boa é perceber que isso acontece em um trabalho coeso e de alta qualidade sem decepcionar os fãs de 66.

Esse primeiro álbum trazia um punhado de músicas feitas pelo trio, com um bom humor muito bem vindo e uma sonoridade à moda antiga sempre muito elogiada (e que, por si só, ganhava grande parte das atenções do disco), e outras músicas herdadas de Maurício Pereira. Depois, veio o EP Tic Tac/Harmonium, que parece (olhando hoje, após conhecer O Terno) ter a função de criar uma ponte entre os dois álbuns, trazendo uma primeira música com a energia do primeiro e a outra faixa com a melancolia e existencialismo do novo trabalho, só com composições próprias.

Seria fácil demais os três músicos caírem no conformismo de apenas investir na estética tão elogiada (e, na verdade, ironizada em 66). O foco do novo trabalho, no entanto, está no conteúdo das faixas, não apenas em seu formato. Os timbres extras e os efeitos da produção vem subordinados à mensagem, assim como a interpretação vocal. É aí que a maturidade da banda impressiona realmente e faz todos os comentários “olha como os três guris fazem um som de antigamente” serem ainda mais bobos do que já eram em 2012.

Não vejo aqui um candidato a hit como Zé Assassino Compulsivo, Eu Não Preciso de Ninguém ou Tic-Tac, mas doze faixas de muito valor, das quais algumas conseguem se destacar ainda mais. A começar pela previamente lançada O Cinza, passando pela balada “loser” Ai, Ai, Como Eu Me Iludo e a divertida Eu Confesso – uma das que mais me lembram o disco anterior.

Pra fechar o álbum, as melhores: Medo do Medo é candidata forte a favorita de muitos, Eu Vou Ter Saudades tem um quê de Alabama Shakes e Desconhecido impressiona em cada um dos seus quatro minutos e meio, com um verso que encerra a obra amarrando seu conceito e nos tirando o fôlego. Fica difícil não se impressionar.

O Terno já tinha seu lugar firmado na música dos nossos dias. Com este lançamento, fica a ideia de como a banda será lembrada no futuro, com adjetivos muito mais apropriados do que os “meninos que fazem música nostálgica”. São músicos que fazem música relevante.

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BOM PARA QUEM OUVE: Boogarins, Os Mutantes, Alabama Shakes
ARTISTA: O Terno

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.