Resenhas

Palehound – Dry Food

Ellen Kempner destaca-se como uma das artistas mais interessantes do Indie de sua geração

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Ano: 2015
Selo: Exploding In Sound Records
# Faixas: 8
Estilos: Indie, Rock Alternativo, Grunge Pop
Duração: 28
Nota: 4.0

Uma das características mais interessantes de se observar em meio a onda de revivals incessantes surgidos na música vem dos grupos que conseguem ultrapassar a mera reprodução de trejeitos datados ao construir uma sonoridade própria, mesmo que baseada em suas influências.

Digo isso porque bandas (principalmente as de origem norte-americana) nascidas após os anos 2010 que tem sua sonoridade baseada no vintage período novetista do Rock Alternativo não são poucas. Mas raros são os exemplos que conseguem construir um álbum tão coeso e sincero como Ellen Kempner e seu projeto Palehound.

Mesmo chamando a atenção com o lançamento de seu primeiro EP (Bent Nail, de 2013), o imenso salto qualitativo que observamos em Dry Food faz com este se destaque facilmente, podendo ser considerada uma estreia de peso. Um dos fatores que mais chamam a atenção neste debute é a proficiência de Kempner não apenas como compositora, mas também como instrumentista e arranjadora (além de ostentar uma técnica de guitarra acima da média, é ela quem canta e toca todos os instrumentos deste trabalho, exceto a bateria).

Pertencendo, obviamente, ao mesmo universo de Waxahatchee e Speedy Ortiz (não por acaso, Kempner é amiga próxima de Sadie Dupuis), e dotada do mesmo humor irônico de Courtney Barnett e da mesma abrasividade de St. Vincent, Palehound exibe de maneira muito apropriada a herança de grandes nomes como Pavement e The Breeders.

Entrando para o time de excelentes break-up albuns, Dry Food canta com maestria os sofrimentos de um jovem adulto pós um termino de relacionamento. A colagem de sua capa, que exibe uma versão estereotipada do Rio de Janeiro, talvez tenha mais a ver com o sentimento de saudade ou o desejo de fuga para algum paríso tropical imaginário do que com qualquer característica sonora, mas, mesmo assim, marca a estreia de uma das artistas mais promissoras do Indie dessa época.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte