Resenhas

Sondre Lerche – Please

Disco segue a mesma identidade de suas seis obras passadas

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Ano: 2014
Selo: Mona
# Faixas: 10
Estilos: Pop Alternativo, Indie Rock, Folk
Duração: 41:45
Nota: 2.5
Produção: Sondre Lerche e Kato Ådland
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/please/id886236293?uo=4

Sondre Lerche é um compositor no sentido mais clássico da palavra. Em vários momentos de sua obra, sua música transparece uma honestidade forte de como esta é usada como linguagem principal para veiculação de sentimentos e emoções do compositor norueguês. Munidos desta noção tão clara para nós ouvintes, quando escutamos belíssimos trabalhos do passado como Two Way Monologue (2004) e Heartbeat Radio (2009), conseguimos ver uma honestidade de uma Regina Spektor ou de um Conor Orbest adaptada à sua maneira, seja falando de seu cotidiano, decepções amorosas, temas fantásticos entre outros. Depois de um considerável tempo, Sondre Lerche lança seu novo disco, Please, e as coisas continuam honestas e sinceras como sempre. Tediosamente, como sempre.

Durante todos os seu trabalhos, escutamos claramente que Sondre Lerche fala conosco de tal forma que não sabemos se as letras são tão boas que passamos completamente desapercebidos pela música, ou se a música é tão sem sal que apenas seus versos conseguem nos prender. Além disso, temos um disco cansativo no sentido que entre as dez faixas, podemos citar cinco que chamam a atenção de fato, alternando entre si e mudando muito rápido o estado de expectativa do ouvinte. Por exemplo, a barulhenta e melódica Lucifer, assim que terminada, dá espaço a After The Exorcism, uma música que se usa dos mesmos elementos da música citada anteriormente e acrescenta um fator Pop. Assim, o ouvinte tem a sensação que esta ouvindo algo muito similar por muito tempo, quando na verdade já se passaram duas músicas.

Nada aqui é muito singular. É notável que Sondre Lerche experimenta mais em Please do que em qualquer outro disco. Mas as estruturas são, majoritariamente as mesmas e, pior ainda, previsíveis. Com a mesma dinâmica de discos passados, a mesma honestidade, um balança descomunal na qualidade de certas faixas e, por vezes, uma sensação de que as composições são muito parecidas, Sondre Lerche lança um disco que não é de todo mau, entretanto você pode mostrar tanto este disco como outro de sua obra para uma pessoa conhecer, e a reação seria mesmo. Algo que deveria ter um mínimo diferencial entre os registros.

A questão aqui não parece ser mais de ter fé para que um dia Sondre Lerche mude. Não, este é seu estilo e isso é otimo. Fazer música para sua expressão e não para agradar outros sendo que, mais uma vez, não é um disco ruim. Apenas que ele se se camufla no meio de outros trabalhos. Conhecer sua obra exige uma identificação muito específica, que nem todos podem atingir.

Dê uma escutada, se for do teu agrado, parabéns! Você tem seis discos parecidíssimos para apreciar.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.