Resenhas

The Cribs – 24-7 Rock Star Shit

Banda inglesa erra completamente a mão em disco “cru” de “Rock”

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Ano: 2017
Selo: Sonic Blew
# Faixas: 10
Estilos: Rock Alternativo, Emo
Duração: 36:16
Nota: 1.0
Produção: Steve Albini

Estou aqui ouvindo este novo álbum dos ingleses The Cribs, 24-7 Rock Star Shit. Segundo informações mais ou menos confiáveis (e certamente constatáveis), o grupo inglês “resolveu exorcizar seus demônios com um disco totalmente Rock, despojado, cheio de energia e anarquia”. São guitarras por todos os lados, produção pesadona de Steve Albini, o cara que ajudou a forjar a crueza sonora de alguns participantes do Rock noventista americano, vocais gritados e um clima supostamente opressor, com roqueiros outsiders e tudo mais. Na verdade, nada disso é verdade, ainda que os músicos e alguns integrantes da imprensa especializada gringa jurem que é. O que parece é um bando de sujeitos esperneando por motivos “white people problems” na sua categoria teen, ou seja, “roubaram meu Danoninho”, “furaram o pneu da minha bicicleta”, “trocaram a senha da conexão wi-fi sem me avisar” e coisas assim. A fúria e o despojamento de The Cribs só irá impressionar quem está desmamando agora e, mesmo assim, periga que esta pessoa se impressione e se sinta mais traduzida por outros artistas e outros ritmos.

Por vários motivos conjunturais e históricos, o Rock ficou datado e hoje não representa mais esse sentimento que The Cribs tenta passar aqui. Pode ser que tal circunstância mude, mas o estilo é mais identificado com conservadorismo e certas posturas que pararam no fim do século passado e cindiu-se a partir do novo milênio, quando passamos a experimentar várias nuances de mudança. Dessa forma, qualquer identificação do Rock com problemas verdadeiramente angustiantes hoje em dia tornou-se impossível. Seria mais fácil que jovens nesta condição saíssem rimando nas ruas sobre uma base eletrônica qualquer ou se trancassem num quarto com um computador cheio de programas piratas e se enfiasse a fazer remixes malucos ou criações novíssimas para compartilhar na Web com os amigos. Apesar disso, resta o refúgio do exercício de estilo para The Cribs, no qual ele se mostra inferior a bandas que já eram copidesks de Nirvana nos anos 00, caso de The Vines, por exemplo. Falta originalidade mínima, falta carisma, faltam boas canções.

Mesmo neste campo do exercício de estilo, conhecido também como “mera cópia”, The Cribs até tentou conferir legitimidade à empreitada, chamando Steve Albini para pilotar o estúdio. O grupo veio para os Estados Unidos para gravar, mixar e finalizar tudo em poucos dias, se valendo também desse movimento de espontaneidade/pressa que já deu foco e brilho a muitos discos no passado, mas que, nos tempos de hoje, também tornou-se um produto pelo qual se paga. Sendo assim, a aparência das dez faixas é de algo enguitarrado, desleixado, espontâneo, mas soa – pelo menos para ouvidos mais cascudos – milimetricamente estudado. Nem precisa ir muito longe na ficha da banda, o trabalho anterior, For All My Sisters, foi norteado por sua paixão pela fusão de melodia e peso de Weezer.

Nesta pilhagem de influências americanas, The Cribs se mostra sem qualquer poder de fogo considerável. Canções rápidas e caotiquinhas como Give Good Time, com refrão Pop na medida e muita pose de mauzão, dão a tônica por aqui, mas os caras ainda encontram cara de pau para enfiar uma balada atormentada lá pro fim do álbum, caso de Dead At The Wheel, com todos os tiques e taques mercadológicos de praxe. O fecho é com Broken Arrow, rasa, sem graça.

Evite. Apenas.

(24-7 Rock Star Shit em uma música: Give Good Time)

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BOM PARA QUEM OUVE: The Vines, Nirvana, Weezer
ARTISTA: The Cribs
MARCADORES: Emo, Rock Alternativo

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.