Resenhas

The Cribs – For All My Sisters

Sexto disco impressiona pouco e nos deixa com saudades da forte personalidade antiga

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Ano: 2015
Selo: Arts & Crafts
# Faixas: 12
Estilos: Indie Rock, Garage Rock
Nota: 3.0
Produção: Ric Ocasek

No começo do ano, tivemos uma ótima surpresa quando o trio britânico The Cribs anunciou que seu sexto registro seria lançado em alguns meses, sendo produzido por um dos nomes mais fortes do Rock Alternativo. Tendo trabalhado com bandas como Weezer, a produção de Ric Ocasek não teria nada de mais se não fosse pela nota na revista americana NME de que o disco seguiria uma linha parecida com o conjunto de Rivers Cuomo. A questão da preocupação tangia o quanto a personalidade do trio, que sempre se mostrou bastante forte, poderia mudar frente a outras referências e qual seria o impacto desta mudança para com seus fãs. Pois bem, as coisas não saíram como estavamos antecipando, mas certamente isto não significa que não houve uma decepção.

Como visto em seu disco anterior, In The Belly Of The Brazen Bully, The Cribs mudou bastante à medida que seus discos eram lançados, porém sempre havia uma aura Punk que rodeava a banda. Já em For All My Sisters, nós temos uma mudança abrupta da sonoridade que acaba resultando em uma espécie de novo disco de Weezer. Não que todas as músicas sejam parecidas com composições do conjunto americano, mas as que são, poderiam ser facilmente ser confundidas. Muitos poderiam argumentar que esta mudança não-original resultaria em um disco mediano para ruim mas o que vemos aqui é que essa dinâmica se revela muito mais como uma inspiração e assim, mostrando que as faixas tem toques da sonoridade weezeriana e não plágios.

De qualquer forma, ainda há um desapontamento, principalmente no que diz respeito à personalidade forte de The Cribs que aqui se perde um pouco na melosidade pseudo-Emo. O problema não é a melosidade, afinal, o disco Ignore The Ignorant (2009) mostrou que a banda possui talento para produzir qualquer tipo de música. O problema é nestas composições antigas notava-se uma identidade firme e coesa, o que não é visto em For All My Sisters. Canções como Different Angle, City Storms e Springs Of Broadway acabam divertindo o ouvinte, mas temos aquele tesão de ouvir músicas de um power-trio tão poderoso quando The Cribs. A única faixa que parece manter esta relação com as identidades fortes do passado é a ultima, Pink Snow, com um dinâmica bastante mutante ao longo de sua reprodução, mas em nenhum momento desconexa.

Longe de produzir algo inaudível, The Cribs dá uma deslizada em sua postura firme produzindo um disco que peca pela falta da identidade. De qualquer forma, vale a pena escutar o registro principalmente por causa da última faixa, que mostra que por baixo desta suposta “inspiração excessiva” ainda existe aquele trio poderoso que nos proporcionou ótimos momentos.

Uma fase diferente dos irmãos Jarman que nos deixa nostálgicos de obra passadas.

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BOM PARA QUEM OUVE: Saves The Day, Happy Diving, Weezer
ARTISTA: The Cribs
MARCADORES: Garage Rock, Indie Rock

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.